Paris amanheceu sob um manto branco e seus moradores tiveram que se esforçar para chegar ao trabalho. Apesar da beleza, a neve perturba o dia a dia dos parisienses, que não estão acostumados a temperaturas tão baixas
A RATP, responsável pelo transporte público da cidade, suspendeu todos os ônibus até que as condições de circulação sejam seguras para os passageiros. Mais de cem voos foram cancelados no aeroporto Paris-Charles de Gaulle e cerca de quarenta no de Orly.
O tráfego ferroviário também foi afetado pela manhã. Quase mil quilômetros de congestionamentos foram registrados nas entradas de Paris — algo nunca visto em uma quarta-feira desde fevereiro de 1999.
Nos últimos dias, o mau tempo causou pelo menos cinco mortes em acidentes de carro. Nesta quarta-feira, cerca de trinta caminhões espalharam sal em 700 quilômetros de vias prioritárias, principalmente calçadas e ciclovias, para facilitar o derretimento da neve e do gelo.
A RATP e a Prefeitura de Paris recomendaram aos moradores que "ficassem em casa" e recorressem ao trabalho remoto, se possível. Já a operadora de trens regionais, IDFM, relatou interrupções ou suspensões nos serviços de várias linhas.
Neve histórica
A queda de neve é "de intensidade excepcional", segundo a Prefeitura de Paris. A última vez que nevou dessa forma na capital francesa foi há 14 anos, em 2012. De acordo com cientistas do clima e meteorologistas, devido ao aquecimento global, as ondas de frio intenso são menos frequentes do que no passado.
No entanto, desde domingo, várias regiões da França vêm registrando temperaturas muito baixas. Quase 40% do país foi colocado sob alerta laranja por mau tempo. Esse nível de alerta, segundo os serviços meteorológicos, indica fenômenos significativos de neve e gelo, com forte impacto no trânsito, no transporte e nas atividades ao ar livre, podendo levar a restrições de circulação e à suspensão de aulas.
A prefeitura acionou um plano especial para acolher pessoas em situação de rua desde 28 de dezembro. No domingo (4), cerca de 1200 vagas suplementares em abrigos foram abertas. Segundo comunicado da prefeitura, entre as pessoas acolhidas, mais da metade são famílias com crianças.