Sob o lema "Estudantes vencem", que apareceu em muros por toda a capital sérvia nos últimos dias, os estudantes convocaram um protesto no final da tarde, na Praça Slavija, no centro da cidade, palco das maiores manifestações dos últimos 18 meses.
Uma hora após o início do ato, dezenas de milhares de pessoas já estavam reunidas, empunhando bandeiras. "Estimamos que aproximadamente 34.300 cidadãos estejam presentes nesta manifestação", afirmou o chefe de polícia Dragan Vasiljevic em coletiva de imprensa.
Nenhuma contagem independente estava disponível até o fim da tarde. O Arhiv javnih skupova, grupo independente especializado na contagem de manifestações, anunciou no início do protesto que não forneceria estimativa antes de domingo, embora avaliasse que "as imagens indicam que a concentração na Praça Slavija será uma das maiores".
Desde a queda da estação em 1º de novembro de 2024, protestos vêm ocorrendo na Sérvia, com picos, que chegaram a 300 mil pessoas em 15 de março de 2025, e períodos de baixa mobilização. Os estudantes, que rapidamente assumiram a liderança do movimento, esperam que a manifestação deste sábado revigore os protestos e pressione o presidente Aleksandar Vucic (SNS, direita nacionalista) a convocar eleições antecipadas.
As manifestações, que começaram como uma reação direta ao desabamento da estação de Novi Sad, rapidamente ganharam um caráter mais amplo e político, voltado contra o governo e o presidente. Os manifestantes passaram a associar a tragédia a falhas estruturais do Estado, como suspeitas de corrupção em obras públicas, falta de transparência e deficiências na fiscalização.
Vucic, que está no poder há mais de 12 anos, alternando entre os cargos de primeiro-ministro e presidente, afirmou na noite de quinta-feira (21) que as eleições poderiam ser realizadas a partir de setembro.
Conselho da Europa expressa preocupação com repressão
Embora, em sua maioria, pacíficas, as manifestações foram marcadas nos últimos meses por confrontos. Pelo menos algumas dezenas de manifestantes afirmaram terem sido atacados por agentes ligados ao governo.
Na sexta-feira, o Conselho da Europa - do qual a Sérvia, com seus 6,6 milhões de habitantes, faz parte - expressou preocupação com a "resposta violenta" das autoridades às manifestações, citando "múltiplos relatos de uso excessivo da força pela polícia, prisões de manifestantes pacíficos e tratamento degradante sob custódia".
Para garantir a segurança da multidão, dezenas de estudantes vestindo coletes amarelos fluorescentes e grupos de motociclistas foram mobilizados - como vem ocorrendo desde o início do movimento.
Por volta das 19h (14h em Brasília), o chefe de polícia afirmou que "nenhum incidente grave havia sido registrado até o momento".
Com AFP