Segundo o perfil traçado pela L'Express, Ursula von der Leyen assumiu a chefia da Comissão em um momento de crise global e optou por responder ampliando o alcance da instituição. Primeira mulher à frente do Executivo europeu, ela imprimiu ao seu mandato uma lógica geopolítica, colocando a União Europeia como ator estratégico em um mundo instável. Mas essa expansão de atuação não é consensual.
Nos bastidores de Bruxelas, cresce a percepção de que a presidente vai além do que tradicionalmente caberia à Comissão, ocupando espaços políticos e diplomáticos de maneira mais assertiva; para alguns até excessiva.
A reportagem insiste em um ponto central: o estilo de Ursula von der Leyen. Ela é frequentemente descrita como uma dirigente que centraliza decisões, personaliza a ação política e imprime uma marca pessoal forte ao cargo. Para seus críticos, trata-se de uma ruptura com o funcionamento mais colegiado que caracteriza a União Europeia. Isso alimenta acusações de que ela "ultrapassa os limites" de sua função, ainda que seus apoiadores vejam nisso uma adaptação necessária a um mundo mais turbulento.
Paradoxo
A visibilidade e o protagonismo da dirigente alemã revelam um paradoxo: Ursula von der Leyen é ao mesmo tempo uma das líderes mais reconhecidas do continente e uma das mais contestadas.
É nesse ponto que entra uma segunda análise, desta vez da revista Le Nouvel Obs. Em um editorial intitulado "A lição de Pequim aos europeus", o texto afirma que a União Europeia deveria ser mais firme na defesa de seus interesses. A revista considera que a China soube resistir às pressões de Donald Trump durante a recente visita do presidente norte-americano a Pequim, enquanto muitas vezes, "a Europa se comporta como um vassalo dos Estados Unidos".
Segundo a revista, em um mundo cada vez mais competitivo, a força, e não a conciliação, passou a definir o equilíbrio de poder. A crítica é direta: a Europa ainda hesita, ainda evita o confronto e paga um preço alto por isso.
Nas duas publicações, a questão central permanece sem resposta: como a Europa pode se tornar uma potência mais assertiva, sem se dividir por dentro?