Os dois acusados devem se apresentar ao juiz de instrução do tribunal de Setúbal, perto de onde as crianças foram encontradas na noite de terça-feira (19), na estrada nacional 253 que liga a cidade de Alcácer do Sal à estância balneária de Comporta, a cerca de 100 km ao sul da capital portuguesa.
A mãe das crianças foi presa na quinta-feira, em Fátima, no centro de Portugal, junto com seu companheiro, que, segundo uma fonte próxima ao caso na França, seria um ex-policial que deixou a corporação em 2010.
Segundo as autoridades portuguesas, eles passaram várias horas à mesa de um café dessa cidade, conhecida por seu santuário católico, despertando suspeitas de uma moradora que acionou a polícia. O casal, que aparentemente não tem ligação com Portugal, pode ser acusado de maus-tratos e abandono.
O casal também é alvo de um mandado de prisão europeu emitido pela França, que será posteriormente analisado pela Justiça portuguesa. "O importante é que as crianças estão bem, que os supostos autores desses crimes muito graves, cometidos contra crianças absolutamente vulneráveis, foram identificados e estão sob ação da Justiça", comentou o ministro português do Interior, Luís Neves.
Os dois meninos estão em uma família de acolhimento temporária, após deixarem o hospital onde haviam sido internados para observação. Segundo a instituição, eles estavam "bem do ponto de vista clínico".
"Caberá às autoridades judiciais francesas dar início ao procedimento de retorno das crianças" à França, informou o tribunal de Setúbal em comunicado, explicando que os menores "residiam com a mãe, e o pai tinha direito de visita limitado e supervisionado".
O pai comunicou o desaparecimento dos filhos em 11 de maio, em Colmar, no leste da França. O motorista que os encontrou na terça-feira (19), sentados à beira da estrada e chorando, levou-os imediatamente para casa, onde foram acolhidos antes de serem atendidos pelos serviços de saúde.
Mãe disse que era "brincadeira"
As crianças contaram que a mãe lhes vendou os olhos e "desapareceu", dizendo que se tratava de uma "brincadeira". Uma pessoa que fala francês foi chamada pela família para traduzir o relato dos meninos. "Eles tinham uma laranja, uma pera e uma garrafa de água... Não vimos sinais de maus-tratos. Talvez a mãe tenha deixado isso para que pudessem se virar ao menos por um dia", acrescentou.
Na França, o prefeito de Colmar informou na sexta-feira que a mãe das crianças havia se mudado para a cidade "há pouco tempo" e trabalhava "na área hospitalar". Segundo a imprensa portuguesa, ela estudou psicomotricidade na Universidade Pierre e Marie Curie, em Paris, e trabalhava também com EFT, uma técnica associada à liberação emocional.
"Não havia qualquer registro de problemas sociais ou de comportamento com as crianças", declarou o prefeito, Eric Straumann, acrescentando que "eram pessoas que não causavam problemas". Foi apenas quando as crianças não compareceram à escola na semana passada que os serviços municipais emitiram um alerta de desaparecimento considerado preocupante, reiterado "na última segunda-feira".
Com agências