Lisboa se tornou o maior colégio eleitoral brasileiro no exterior, reunindo 79 mil votantes após uma alta de 86% desde 2022. O avanço é impulsionado pelo aumento da imigração, exigências documentais e engajamento cívico. Para evitar as longas filas do pleito anterior, o consulado brasileiro ampliou a estrutura para 103 urnas na Universidade de Lisboa, reforçou a segurança e os transportes, além de disponibilizar um assistente virtual no WhatsApp para orientar o fluxo de votantes.
Luciana Alvarez, correspondente da RFI em Portugal
Em segundo lugar vem Boston, nos Estados Unidos e, em terceiro, aparece outra cidade portuguesa, o Porto. Houve um grande crescimento dos votantes: nas últimas eleições, em 2022, estavam registrados em Lisboa 45 mil eleitores brasileiros, o que significa um aumento de 86%.
Para o cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, uma somatória de fatores levaram a uma subida tão expressiva. Um deles é o aumento no total de brasileiros vivendo em Portugal, mas há também aspectos como a necessidade de ter documentos brasileiros válidos para regularizar a residência na agência portuguesa das migrações, a AIMA, assim como a vontade de participar da vida política brasileira.
"Ter o comprovante eleitoral é um pré-requisito para a retirada de documentos como o passaporte. Muitos brasileiros que moram aqui, tendo a necessidade de ter o passaporte para regularizar sua situação imigratória, precisam do certificado de eleitor", explica. "Mas, evidentemente, há um interesse de vinculação com a política brasileira, com a renovação dos mandatos", explica ele.
Operação logística
A presença de tantos eleitores exige uma operação logística de peso. A equipe do consulado brasileiro tem trabalhado para aumentar a infraestrutura e evitar alguns dos problemas como registrados na eleição passada. Em coordenação com autoridades locais, conseguiram um reforço nos transportes públicos e no policiamento.
Desta vez, serão 103 urnas, distribuídas em três prédios da Universidade de Lisboa - na eleição anterior, eram 58 urnas e apenas um prédio disponível, o que levou à formação de longas filas, em corredores apertados. No primeiro turno de 2022, o fim da votação teve que ser adiado em duas horas, para que todos que estavam à espera pudessem exercer o direito ao voto.
Para o dia 4 de outubro deste ano, o cônsul promete mais "fluidez". Além de aumentar os locais de voto, o consulado desenvolveu um chatbot que vai funcionar por Whatsapp para indicar exatamente para que prédio e sala cada eleitor deve se dirigir.
"A nossa ideia é que o processo de se deslocar até a universidade, entrar no prédio, entrar numa fila e finalizar o processo de votação seja algo confortável e seguro. A gente quer que o eleitor venha, compareça e participe da forma mais tranquila e alegre possível, porque é uma festa", afirma Candeas.
A "festa da democracia" tem grandes proporções. "Estamos falando de 79 mil leitores, que significa um Maracanã cheio, para dar a dimensão. Além disso, mais de 400 mesários, mais um outro número de voluntários e também contratamos duas empresas de segurança para organização das filas", diz Candeas.
Vínculo com o país, apesar da distância
O voto é obrigatório para os brasileiros com mais de 18 anos e até os 70 anos, mesmo para aqueles que moram no exterior. Mas, mais do que uma obrigação, para muitos é uma oportunidade de se manter vinculado ao país e dar exemplo de cidadania.
Leandro Takeda se mudou para Portugal há 9 anos e tem dois filhos que nasceram em Lisboa. Ele fez questão de votar para presidente nas eleições passadas e, agora, está ainda mais satisfeito porque foi chamado para ser mesário. "Recebi a confirmação de realmente estar convocado. Vou com prazer e muito orgulhoso de ajudar meu país. Mesmo morando fora, o Brasil vai ser sempre nosso país, um país que a gente ama muito", conta o eleitor.
O cônsul-geral defende que a grandiosidade da votação em Portugal transforma o Brasil em um exemplo internacional de democracia e pode ajudar a promover uma visibilidade positiva da comunidade brasileira no exterior. "Mostra a pujança da nossa democracia. É uma vitrine para o próprio processo, para a qualidade tecnológica das urnas eletrônicas, e para o engajamento do povo", salienta. "Há um engajamento efetivo da comunidade brasileira aqui. Dá visibilidade para a comunidade brasileira, que é uma comunidade não só integrada a Portugal, mas que continua integrada ao Brasil, participando do momento político do seu país."