O NTSB notificou o Cenipa sobre a apuração de um incidente em agosto, nos EUA, no qual o helicóptero de Donald Trump e um avião da Embraer violaram a distância mínima de segurança, aproximando-se a 1,5 km. O caso ocorreu por falha no sinal de rádio entre o helicóptero e a torre de controle, causada por barreiras físicas. Ninguém se feriu, e as autoridades americanas já reposicionaram a antena de comunicação para solucionar o problema.
RIO - O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) notificou o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea brasileira, sobre a investigação referente ao episódio em que o helicóptero que transportava o presidente dos EUA, Donald Trump, passou a pouco mais de 1 km de um avião comercial fabricado pela Embraer.
O incidente ocorreu por volta das 14h34, no dia 4 de agosto, aproximadamente a três quilômetros ao norte do Aeroporto Nacional Ronald Reagan (DCA), em Arlington, Virgínia. A aeronave militar, um Sikorsky VH-3D operado sob a designação VM1, havia acabado de decolar do The Ellipse, em Washington, enquanto um Embraer E-170 da Envoy Air (voo 3742), com destino a Pensacola, iniciava sua subida inicial a partir da pista 1 do aeroporto. Ninguém ficou ferido em nenhuma das aeronaves. Procurados pelo Estadão, o Cenipa e a FAB ainda não se pronunciaram.
Para garantir que aviões e helicópteros não colidam, a aviação estabelece uma distância mínima de proteção entre as aeronaves. Naquele dia, a distância mínima de segurança exigida era de cerca de 2,7 quilômetros na horizontal ou 150 metros na vertical. No entanto, os dois veículos se aproximaram a cerca de 1,5 quilômetro de distância lateral e 210 metros na vertical. Na cabine do avião de passageiros, os alarmes de tráfego chegaram a alertar os pilotos sobre a presença do helicóptero, mas a aproximação não exigiu manobras bruscas de emergência.
A causa principal da aproximação foi uma falha de comunicação causada por barreiras físicas. Como a Casa Branca estava em obras, o helicóptero presidencial precisou decolar de um parque próximo chamado The Ellipse. O problema é que, por causa do terreno e dos edifícios ao redor, o sinal de rádio do helicóptero não conseguia "enxergar" as antenas da torre de controle do aeroporto.
No caso dos voos do Marine One, a equipe do helicóptero precisa avisar a torre de controle três minutos antes de decolar. Esse aviso serve para que os controladores parem temporariamente todas as decolagens de aviões comerciais no aeroporto vizinho. A tripulação do helicóptero tentou enviar essa mensagem duas vezes pelo rádio, mas, devido ao bloqueio no sinal, a torre de controle não recebeu as mensagens.
Na cabine do voo comercial, os pilotos relataram ter recebido um alerta de tráfego do sistema TCAS, mas mantiveram a visualização apenas na tela, confirmando que a aeronave militar passou por trás de sua asa direita sem emitir alertas de evasão de emergência.
Sem saber que o helicóptero presidencial já estava subindo, o controlador de tráfego aéreo deu autorização para o avião comercial decolar. O Marine One só conseguiu falar com a torre de controle quando já estava mais alto no ar, em uma posição onde o sinal de rádio não encontrava barreiras. Naquele momento, o avião comercial já estava ganhando altitude na mesma região. Ao ver o avião visualmente, a tripulação do helicóptero confirmou a presença do tráfego e manteve a rota com segurança.
Após o incidente, os técnicos da autoridade de aviação americana (FAA) identificaram o erro de cobertura e mudaram a antena de rádio de lugar. Testes realizados em seguida confirmaram que o sinal agora funciona sem obstáculos. As investigações continuam sendo conduzidas pelos órgãos de segurança dos EUA com o apoio do Cenipa, o órgão brasileiro responsável pela investigação de acidentes aéreos, já que o avião comercial envolvido foi projetado e fabricado no Brasil pela Embraer.