França e Suécia firmaram um acordo de 4,3 bilhões de euros para a compra de quatro fragatas francesas por Estocolmo, com entregas a partir de 2030. O pacto aprofunda a cooperação industrial e militar bilateral, sucedendo a aquisição francesa de aviões de vigilância suecos. A medida visa reforçar a autonomia estratégica e o pilar europeu de defesa na Otan, ampliando a capacidade de dissuasão diante da ameaça russa e reduzindo a dependência da indústria bélica dos Estados Unidos.
O anúncio foi marcado pela assinatura do contrato para a compra de quatro fragatas francesas pela Suécia.
"Estamos consolidando uma cooperação estratégica importante, recíproca, respeitosa e ambiciosa", declarou Macron a bordo da fragata francesa Amiral Ronarc'h, atracada no porto de Estocolmo, onde foi formalizado o contrato de 4,3 bilhões de euros.
"Isso demonstra a força e a importância desse pilar europeu de defesa e como a cooperação franco-sueca está se tornando um elemento essencial dessa estrutura", acrescentou o presidente francês.
O ministro sueco da Defesa, Pål Jonson, e a ministra francesa das Forças Armadas, Catherine Vautrin, assinaram paralelamente um acordo-quadro para ampliar a cooperação bilateral nos campos operacional, tecnológico e industrial.
A Suécia, que vem ampliando significativamente seus investimentos militares desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, e desde sua entrada na Otan, em 2024, encomendou ao grupo francês Naval Group quatro fragatas de defesa e intervenção (FDI). A primeira embarcação deverá ser entregue em 2030.
A encomenda sucede a decisão francesa de adquirir dois aviões de vigilância aérea GlobalEye, produzidos pela empresa sueca Saab, em um contrato superior a 1 bilhão de euros assinado em dezembro.
Dissuasão ampliada
Os dois líderes insistiram na necessidade de reforçar a chamada "soberania europeia" em matéria de defesa. A ideia, defendida por Macron desde o início de seu mandato em 2017, ganha força diante da ameaça representada pela Rússia e das incertezas em relação ao compromisso dos Estados Unidos com a segurança europeia.
"Todos sabemos agora que a Europa precisa assumir uma responsabilidade maior por sua própria segurança", afirmou Kristersson.
As quatro fragatas serão equipadas com mísseis antiaéreos e antimísseis Aster 30 e, possivelmente, com mísseis de cruzeiro navais de longo alcance, informou Macron.
Segundo o primeiro-ministro sueco, os navios fornecerão à Suécia uma capacidade de defesa aérea de longo alcance no mar e proteção contra mísseis balísticos, recursos cuja ausência se tornou evidente na defesa da Ucrânia diante dos ataques russos.
Macron destacou ainda que essa capacidade de defesa antimísseis contribuirá para apoiar a estratégia de dissuasão nuclear francesa.
O presidente francês já propôs essa forma de dissuasão ampliada a oito países europeus, entre eles a Suécia, como parte de um esforço para reforçar a defesa do continente. A decisão final sobre o eventual uso de armas nucleares, porém, continuaria sob responsabilidade exclusiva da França.
Cooperação em aeronaves de combate
França e Suécia, que possuem importantes indústrias de defesa, também manifestaram o interesse de fortalecer a base industrial militar europeia diante da predominância dos fabricantes norte-americanos dentro da Otan
Segundo Macron, o objetivo é construir um "ecossistema europeu de defesa mais resiliente, mais independente, mais competitivo e capaz de garantir a plena soberania da Europa".
Essa colaboração poderá incluir, futuramente, programas conjuntos para o desenvolvimento de aeronaves de combate. A possibilidade ganhou relevância após as dificuldades enfrentadas pelo programa franco-alemão SCAF (Sistema Aéreo de Combate do Futuro). Atualmente, a França produz o caça Rafale e a Suécia o Gripen.
O Palácio do Eliseu afirmou que existem "muitos caminhos possíveis de cooperação" nessa área, citando como exemplo a expertise francesa na fabricação de motores aeronáuticos.
A França também participará das forças terrestres avançadas da Otan na Finlândia, que estarão sob comando sueco e terão como missão reforçar a capacidade de dissuasão da aliança diante da ameaça russa.
Com 122 metros de comprimento, a fragata FDI foi projetada para enfrentar diferentes tipos de ameaça, incluindo ataques navais, aéreos, submarinos e cibernéticos, segundo o Naval Group. A embarcação também permite o emprego de forças especiais, além da operação de drones aéreos e de superfície.
Quatro unidades desse modelo já foram vendidas à Grécia. A Noruega, por sua vez, optou pela aquisição de fragatas britânicas.
Com AFP