A União Europeia suspendeu a importação de carnes, ovos e mel do Brasil devido ao descumprimento de normas contra o uso abusivo de antibióticos na pecuária. A medida gera forte impacto econômico após a entrada em vigor do acordo com o Mercosul. A retomada das vendas dependerá de auditorias e da comprovação de padrões sanitários pelo governo brasileiro, sendo que o setor de aves e mel pode regularizar a situação mais rápido do que o de carne bovina.
A partir de quinta-feira, a entrada de carne bovina e de aves, ovos e mel brasileiros estará suspensa nos 27 países da União Europeia. A duração da medida dependerá de cada setor produtivo. A retomada poderá ocorrer mais rapidamente para aves e mel se a auditoria em andamento tiver resultado positivo. Para a carne bovina, o processo pode ser mais demorado.
O Brasil foi retirado em maio de uma lista de países que respeitam as regras da UE sobre o uso abusivo de antibióticos na indústria pecuária. A regulamentação da União Europeia proíbe o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento dos animais ou aumentar a produtividade dos rebanhos. Também veta a utilização, em animais de criação, de determinados medicamentos reservados ao tratamento de infecções humanas.
Essas regras fazem parte da estratégia europeia de combate à resistência antimicrobiana. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), infecções resistentes a medicamentos são diretamente responsáveis por mais de um milhão de mortes por ano em todo o mundo.
UE continua dialogando com Brasília
A Comissão Europeia informou que continua dialogando com as autoridades brasileiras. Segundo uma porta-voz do órgão, "o Brasil é um parceiro importante da União Europeia e estamos trabalhando de forma próxima, construtiva e positiva com as autoridades brasileiras para garantir a conformidade com essas exigências. Uma vez demonstrada essa conformidade, as exportações para a UE poderão ser retomadas".
A auditoria em curso sobre os setores de aves e mel deve ser concluída na sexta-feira. Se os resultados forem satisfatórios e aprovados pelos países-membros da UE, as exportações desses produtos poderão ser retomadas nas próximas semanas.
No caso da carne bovina, o processo pode levar mais tempo. A Comissão Europeia explicou que a data em que o Brasil poderá comprovar conformidade com as exigências da UE varia conforme os ciclos de produção de cada espécie animal.
Consequências para o Brasil
A decisão ocorre em um contexto delicado, após a assinatura, em janeiro, do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai). O tratado, que entrou em vigor em maio, foi alvo de fortes críticas por parte do setor agrícola europeu e do governo francês, em especial quanto ao cumprimento dos padrões sanitários e ambientais exigidos para produtos importados.
O impacto econômico pode ser significativo para o Brasil, que é um dos mais importantes fornecedores de carne bovina para o mercado europeu. Em 2025, o país foi o segundo maior exportador do produto para a União Europeia, com mais de 92 mil toneladas vendidas e valor superior a € 713 milhões (cerca de R$ 4,3 bi).
Até o momento, Bruxelas não estabeleceu um cronograma geral para o fim da suspensão. A retomada das importações dependerá das garantias apresentadas pelas autoridades brasileiras de que cada cadeia produtiva atende integralmente às normas sanitárias europeias.
Com AFP