Interpol emite alerta de prisão de mulher ucraniana suspeita de cometer atentado em Mônaco

Uma mulher ucraniana está sendo procurada pela Interpol como a principal suspeita pela tentativa de assassinato de um empresário de origem ucraniana em Mônaco. Um "alerta vermelho" com sua foto foi emitido pela instituição nesta sexta-feira (3).

3 jul 2026 - 07h25

Identificada como Anastasiia Berezovska, de 39 anos, ela é procurada pelas autoridades monegascas por "tentativa de assassinato, colocação de artefato explosivo em local público com intenção criminosa e associação criminosa", conforme o alerta, que funciona como um pedido internacional de prisão.

A suspeita, uma mulher de cabelos castanhos de comprimento médio, aparece em duas fotos divulgadas pela Interpol: ela veste uma blusa de mangas curtas com listras, revelando uma tatuagem na parte superior do braço direito que é "possivelmente uma cobra", segundo a advertência. Seu "idioma falado" é o alemão, informa o texto.

Publicidade

Segundo o jornal Le Figaro, que havia revelado na noite de quinta-feira (2) que uma mulher estava sendo procurada no caso, a ucraniana residiria na Alemanha. A Promotoria de Mônaco havia anunciado na noite de quinta-feira que uma suspeita havia sido identificada, sem fornecer mais detalhes.

Na noite de segunda-feira (29), uma pessoa deixou um pacote na entrada de um pequeno prédio de Mônaco, em um bairro na fronteira com o território francês. Pouco depois, um artefato explosivo detonou exatamente quando três moradores - um casal e um menino de 13 anos - entravam no edifício. Os três ficaram gravemente feridos.

Oligarca ucraniano e família seriam as vítimas

Uma foto de vigilância circulou e acredita-se que ela mostre um suspeito do ataque. A imagem exibe uma pessoa, que a maioria dos observadores supôs ser um homem, com o rosto em grande parte oculto por um chapéu preto, vestindo calças claras e uma blusa preta.

As autoridades monegascas ainda se recusam a confirmar a identidade das vítimas, mas, segundo fontes ligadas às investigações, o ataque tinha como alvo Vadim Ermolaev, empresário rico de 58 anos, natural da Ucrânia e atualmente cidadão cipriota, sua companheira e seu filho.

Publicidade
Atentado aconteceu em rua pacata de Mônaco e visaria oligarca ucraniano Vadim Ermolaev. (30/06/2026)
Atentado aconteceu em rua pacata de Mônaco e visaria oligarca ucraniano Vadim Ermolaev. (30/06/2026)
Foto: RFI

O adolescente foi internado no Hospital Infantil Lenval, em Nice, em estado grave mas não crítico, enquanto os dois adultos, que corriam risco de morte, foram levados para o Hospital Universitário de Nice. Na quarta-feira, o homem já estava fora de perigo mas a saúde da mulher ainda não tinha se estabilizado.

Residente em Mônaco desde pelo menos 2021, Vadim Ermolaev é alvo de sanções na Ucrânia desde dezembro de 2023 devido às suas atividades comerciais na Crimeia, território anexado pela Rússia. A tentativa de assassinato causou comoção no principado, um microestado mediterrâneo ultrasseguro, com apenas 2 quilômetros quadrados e uma população de cerca de 40 mil habitantes.

No front, mortes na Ucrânia e na Rússia

Enquanto isso, no front da guerra na Ucrânia, ataques russos mataram pelo menos quatro pessoas entre a noite de quinta-feira e a manhã de sexta-feira em territórios ucranianos, enquanto ataques de Kiev a regiões fronteiriças da Rússia deixaram dois mortos, segundo autoridades de ambos os países.

Em Romny, na região de Sumy, no norte da Ucrânia, um ataque com drone russo matou "duas mulheres, um idoso e uma criança, uma menina com menos de dois anos", afirmou no Telegram Oleg Grygorov, chefe da administração militar regional.

Publicidade

Três homens também ficaram feridos no ataque, que atingiu um prédio residencial e provocou um incêndio, acrescentou ele, compartilhando uma foto da estrutura em chamas. Em retaliação aos ataques russos quase diários desde o início da invasão, em fevereiro de 2022, a Ucrânia intensificou as ofensivas em território russo, visando especificamente refinarias e depósitos de petróleo.

Um ataque à cidade de Belgorod, centro administrativo da região russa de mesmo nome, na fronteira com a Ucrânia, matou "uma moradora", anunciou o prefeito Valentin Demidov no Telegram. O ataque teve como alvo "infraestrutura civil" e provocou interrupções no abastecimento de água e energia na cidade, que tem uma população de mais de 300 mil habitantes, observou ele.

Na região de Bryansk, um homem morreu e outras duas pessoas ficaram feridas na sexta-feira em ataques de "drones kamikaze" ucranianos, segundo o governador regional interino, Yegor Kovalchuk.

Pelo menos 30 mortos na Ucrânia

Ao todo, a Rússia abateu 155 drones ucranianos entre a noite de quinta-feira e a manhã de sexta-feira em seu território e na Crimeia anexada, segundo o Ministério da Defesa da Rússia.

Publicidade

Esses ataques ocorrem um dia após a maior ofensiva russa com drones e mísseis contra a capital ucraniana desde o início da ofensiva russa, que deixou pelo menos 30 mortos e mais de 90 feridos, segundo números divulgados pelos serviços de emergência da Ucrânia na sexta-feira. Na quinta-feira, Kiev prometeu revidar contra Moscou, que anunciou sua intenção de continuar os disparos.

Observação sobre "dados mais recentes de hoje": não tenho acesso em tempo real para confirmar mudanças factuais posteriores à publicação. As informações factuais foram mantidas quando não havia indício claro de erro.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se