A ministra dos Esportes e da Juventude, Marina Ferrari, classificou os números como "preocupantes" e reconheceu que o calor extremo contribuiu para o aumento dos acidentes. Segundo ela, durante períodos de temperaturas elevadas, muitas pessoas procuram rios, lagos, canais e praias para se refrescar, nem sempre em condições seguras.
"Observamos uma diminuição nos últimos dias, o que indica que isso também está relacionado à onda de calor, quando as pessoas buscam alívio para as altas temperaturas", explicou.
Segundo a ministra, não existe um perfil único entre as vítimas. "Primeiro, há uma vulnerabilidade em crianças muito pequenas, que não devem ser deixadas sem supervisão. Depois, há jovens que apresentam comportamentos perigosos, como pular de uma ponte ou entrar em um canal sem supervisão", ressaltou.
Cultura de natação
A França tem uma forte cultura de esportes aquáticos, com campeões olímpicos de natação como Léon Marchand. Mas o elevado número de afogamentos evidencia uma realidade distinta fora do alto rendimento: a necessidade de ampliar o aprendizado da natação e a conscientização sobre os riscos em ambientes aquáticos naturais, como mares, rios e lagos, onde ocorre grande parte dos acidentes registrados no verão. Especialistas alertam que a familiaridade com a água nem sempre está acompanhada de uma formação adequada para lidar com os riscos.
O governo reconhece dificuldades no acesso à aprendizagem da natação, sobretudo fora dos grandes centros urbanos. "Temos uma vulnerabilidade nas piscinas, particularmente em áreas rurais, onde há cada vez menos piscinas devido a problemas de renovação", afirmou Marina Ferrari.
O governo também prepara uma reforma da certificação dos salva-vidas, com o objetivo de ampliar sua autonomia e reforçar a supervisão dos locais de banho.
"Estamos trabalhando em uma reformulação da certificação nacional de salva-vidas para lhes dar mais autonomia na supervisão e fortalecer seu papel. O decreto será publicado em breve e entrará em vigor no próximo ano. Esta é uma reforma há muito esperada", disse a ministra.
Aprender a nadar em águas abertas
Outro desafio apontado pelas autoridades é a necessidade de adaptar o ensino da natação às condições encontradas fora das piscinas.
"Precisamos revitalizar o ensino da natação em águas abertas, já que, como podemos ver claramente hoje, temos muitos acidentes que não acontecem em piscinas", afirmou Ferrari. Em rios, canais, lagos e áreas costeiras, as correntes, a profundidade variável, as diferenças de temperatura da água e a ausência de vigilância aumentam o risco de afogamento.
Campanha de conscientização
Diante do aumento das mortes, a Federação Francesa de Natação (FFN) lançou uma campanha nacional de prevenção durante o campeonato francês da modalidade, encerrado na quinta-feira (25) em Saint-Étienne.
"A Federação quis tomar a iniciativa nessas questões porque há uma falta de conscientização sobre os perigos do ambiente aquático na França", afirmou Lazreg Benelhadj, vice-presidente da entidade.
"Precisamos conscientizar as pessoas sobre os perigos do ambiente aquático", acrescentou.
Com o slogan "Afogamento não dá aviso", a campanha será divulgada nas redes sociais da federação por meio de quatro vídeos que abordam as principais situações de risco.
As mensagens destacam comportamentos frequentemente associados aos acidentes: ignorar sinais de alerta, superestimar a própria capacidade física, deixar crianças sem supervisão em piscinas privadas e entrar na água após o consumo de álcool.
Verão sob vigilância
Os números ajudam a explicar a preocupação das autoridades. Durante o verão de 2025, a França registrou 409 mortes por afogamento, um aumento de 16% em relação ao ano anterior. Entre as vítimas, 57 eram crianças e adolescentes.
Com a repetição de ondas de calor cada vez mais intensas e frequentes, o tema tornou-se uma questão de saúde pública. Para as autoridades, a prevenção passa não apenas pela vigilância das crianças, mas também por uma mudança de comportamento dos adultos e por um reforço da sensibilização.
A mensagem das campanhas é simples: saber nadar continua sendo essencial, mas não basta. Compreender os riscos da água, respeitar os limites do próprio corpo e evitar comportamentos imprudentes pode fazer a diferença entre um mergulho de verão e uma tragédia.
Com AFP