"Houve cerca de dez focos de incêndio em um perímetro de 1.000 metros, o que nos leva a supor que pode se tratar de uma origem criminosa", declarou à imprensa durante deslocamento a Noisy-sur-École, no departamento de Seine-et-Marne, nas proximidades da área atingida.
"Temos esperança de conseguir controlar o incêndio ainda hoje", acrescentou o ministro. Ele alertou que "a extinção completa do incêndio levará vários dias, ou até mesmo várias semanas". Dois aviões-tanque Canadair foram mobilizados na manhã desta segunda-feira na tentativa de controlar as chamas. Mais de 500 bombeiros são esperados para atuar no combate ao fogo.
Como o incêndio começou no domingo, dois aviões Dash já haviam sido utilizados para lançar produto retardante de chamas sobre a área atingida. A mobilização dessas aeronaves no combate às chamas é inédita na região de Paris. "Oito centenas de hectares, isso vai aparecer quando olharmos de cima. Vamos chorar pela nossa floresta", lamentou durante a madrugada o primeiro vice-prefeito de Vaudoué, Didier Buguinet, cidade próxima à floresta. Ele afirmou "nunca ter visto algo assim".
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta segunda que "todos os meios" estão "mobilizados" para combater "um incêndio de magnitude excepcional" na floresta de Fontainebleau, na região de Paris. "Aos moradores de Seine-et-Marne, quero expressar nossa solidariedade. Aos bombeiros e às equipes de resgate mobilizados sem descanso, nossa profunda gratidão", escreveu o presidente na rede social X.
La forêt de Fontainebleau est frappée par un incendie d'une ampleur exceptionnelle.
Aux habitants de Seine-et-Marne, je veux dire notre solidarité. Aux sapeurs-pompiers et forces de secours engagés sans relâche, notre profonde gratitude. Tous les moyens sont mobilisés.
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) July 13, 2026
Alerta vermelho para onda de calor
O departamento de Seine-et-Marne, onde fica a floresta, enfrenta desde sábado vários incêndios de grandes proporções, que já atingiram quase 400 hectares antes de serem controlados. O fogo provocou no domingo a interrupção do tráfego em um trecho da rodovia A6, principal via de ligação com o sudeste da França e que cruza a floresta.
O incêndio também causou atrasos de várias horas em trens. O tráfego na linha de alta velocidade voltou à "velocidade normal", informou na manhã desta segunda-feira a SNCF Réseau, empresa responsável pela infraestrutura ferroviária francesa.
Desde domingo, uma coluna de fumaça sobre a floresta podia ser vista a 20 quilômetros de distância, enquanto caminhões de bombeiros se dirigiam ao local pelas estradas florestais. Eles receberam reforço de agricultores que transportavam tanques de água acoplados a seus tratores.
Apesar dos apelos das equipes de emergência para que os moradores permanecessem em casa e evitassem a exposição à fumaça, muitos saíram às portas de suas residências para observar, atônitos, o intenso movimento de veículos de resgate e da polícia em meio ao forte cheiro de queimado que cobria a região.
Segundo balanço divulgado pelas autoridades na manhã desta segunda-feira, cerca de 200 pessoas tiveram de ser colocadas em segurança devido à propagação do incêndio.
Tratores também participam da operação, rebocando grandes reservatórios de água para abastecer as equipes de combate ao fogo. Nesta segunda, os agricultores da região estão impedidos de trabalhar nos campos, segundo decreto da prefeitura, que também proibiu o acesso a todo o maciço florestal.
🔴 𝗙𝗘𝗨 𝗗𝗘 𝗙𝗢𝗥𝗘𝗧 🔥 | Depuis hier, la forêt de #Fontainebleau est en proie aux flammes. Plus de 800 hectares ont déjà été ravagés. 🙏
➜ Ce drame doit nous rappeler que la vigilance est l'affaire de tous. 🚨
Tout notre soutien aux 370 sapeurs-pompiers du @Sdis77. ❤️🚒 pic.twitter.com/mAsyuvqMBL
— Château de Fontainebleau (@CFontainebleau) July 13, 2026
"Vimos as cinzas caindo"
Valérie e seu marido, Daniel, que preferiram não informar o sobrenome, já testemunharam incêndios de grandes proporções em Portugal e em Marselha. Mas, na floresta de Fontainebleau, nunca presenciaram nada parecido.
"Víamos as cinzas caindo. A prefeitura e os bombeiros chegaram para nos avisar que precisávamos evacuar", conta a mulher de cerca de 50 anos, sentada junto ao monumento aos mortos de guerra da cidade, que tem cerca de 750 habitantes.
Durante a madrugada, a frente de fogo chegou a cerca de 100 metros das primeiras residências. De acordo com os serviços de emergência, sem a atuação dos dois aviões Dash, Como o incêndio começou no domingo, dois aviões Dash já haviam sido utilizados para lançar produto retardante de chamas sobre a área atingida, teria sido necessário evacuar todo o vilarejo, e não apenas algumas ruas na borda da floresta.
A segunda-feira ainda promete ser difícil para os moradores. "As condições meteorológicas desfavoráveis continuarão durante todo o dia", advertiu a prefeitura, enquanto o incêndio seguia avançando apesar da queda das temperaturas durante a noite.
Com agências