Grécia: estudantes e professores protestam contra alto custo de vida e falta de recursos

Mais de 10 mil estudantes, professores e funcionários públicos protestaram nesta quarta-feira (21) em Atenas e em outras cidades da Grécia, segundo a polícia e a imprensa. Mobilizados contra contra o alto custo de vida, apontando semelhanças com a situação na França.

21 out 2026 - 10h20
Resumo
Milhares de estudantes e professores protestaram na Grécia contra a precarização do ensino público e a alta do custo de vida. Os atos, apoiados por sindicatos de servidores, denunciam a falta de 15 mil profissionais, a infraestrutura escolar degradada e os baixos salários, agravados pela inflação de 5,1%. Inspirados em protestos na França, os manifestantes exigem mais verbas para o setor, que recebe apenas 3,3% do PIB, enquanto o governo conservador tenta conter a agitação social no país.

Cerca de 5 mil pessoas se reuniram na capital grega e 3 mil em Tessalônica, a segunda maior cidade do país, no norte, informou à AFP um porta-voz da polícia.

Outro protesto em Patras, no oeste do país, reuniu mais de 3 mil pessoas, segundo a emissora pública ERT.

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"O nível da educação é muito baixo (...), faltam funcionários nas escolas e os prédios escolares estão deteriorados", lamentou Maria, uma trabalhadora de cerca de 50 anos de uma prefeitura nos arredores de Atenas, entrevistada pela AFP durante a manifestação que seguiu até a praça Syntagma, em frente ao Parlamento grego.

Alunos e professores do ensino médio protestam contra as infraestruturas precárias das escolas e a escassez de funcionários. Segundo o sindicato dos professores Olme, faltam 15 mil profissionais nos estabelecimentos de ensino de todo o país.

"Na Grécia, assim como na França, reivindicamos uma educação pública e gratuita", afirmou Katia Koubousidou, presidente dos estudantes de Filosofia e Pedagogia da Universidade Aristóteles de Tessalônica.

Em Atenas, o estudante do ensino médio Yannis Papanikolaou elogiou as manifestações na França. "Isso nos ajuda para que haja mudanças aqui também", acrescentou, lamentando que, em algumas salas de sua escola, "as janelas estejam quebradas e os aquecedores não funcionem".

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"A revolta em toda parte" 

"Grécia e França, revolta em toda parte, mesmos problemas, mesmo inimigo", "Da Grécia à França, lutamos por uma educação pública e gratuita", diziam faixas exibidas em Tessalônica.

"Temos um plano para continuar nossos protestos" porque "a situação se tornou insuportável devido ao custo exorbitante dos estudos", afirmou, indignada, Katia Koubousidou. Segundo ela, "as famílias estão se sacrificando todos os dias diante do custo de vida atual".

Apesar dos vários aumentos salariais concedidos na Grécia desde a crise financeira nos anos 2010, o salário mínimo não ultrapassa € 920.

Na noite de terça-feira (20), dezenas de estudantes já haviam montado barracas em Atenas e Tessalônica.

Para Philippos Armen, estudante de Física da Universidade de Tessalônica, "os problemas gregos são comuns a muitos países da Europa", enquanto manifestações também ocorreram, principalmente, no país vizinho, a Albânia.

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A Adedy, confederação dos funcionários públicos do país, aderiu aos protestos estudantis e iniciou pela manhã uma paralisação.

Aumentos salariais 

Também saudando as "manifestações em massa do povo e da juventude na França", a Adedy reivindica, entre outras medidas, "aumentos salariais" e "um apoio substancial aos professores".

Durante a manifestação em Atenas, Nikos Mavroudis, de 17 anos, contou que "recentemente houve quedas de reboco nos banheiros" de sua escola, localizada no centro da capital.

Um aluno de 14 anos ficou ferido recentemente após a queda de parte do teto de sua sala de aula em Thermi, perto de Tessalônica.

Em Atenas, uma grande escola de ensino médio está fechada há duas semanas após um alerta sobre um vazamento de gás.

Em 2023, a Grécia destinava 3,3% de seu PIB à educação, contra uma média de 4,7% na União Europeia, segundo o Eurostat.

Nos últimos dias, o governo conservador grego procurou evitar qualquer comparação com os protestos e a violência registrados na França. O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis afirmou na segunda-feira que a Grécia jamais voltaria "à época de grande agitação social" vivida durante a crise financeira (2009-2018), marcada por medidas de austeridade muito impopulares que afetaram fortemente a população e provocaram protestos violentos.

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Em setembro, a inflação no país foi uma das mais altas da zona do euro, chegando a 5,1% em 12 meses, contra uma média de 3,8% no bloco, segundo o Eurostat.

Com AFP

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