França: prefeito de Saint-Denis, do partido LFI, é investigado por suspeita de desvio de verba pública

No início do mês, uma reportagem do jornal Canard enchaîné afirmou que Bally Bagayoko, hoje uma das figuras de destaque do partido França Insubmissa (LFI), de extrema esquerda, teria acumulado, por um período, duas funções em tempo integral, na prefeitura e na RATP, a empresa de transportes públicos de Paris.

25 ago 2026 - 11h53
Resumo
O prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko (LFI), é investigado pela Justiça francesa por suspeita de desvio de verbas públicas devido ao acúmulo de mandatos políticos com um cargo na estatal RATP. O caso apura um suposto esquema de empregos fictícios na empresa pública. Enquanto o prefeito afirma estar tranquilo e nega irregularidades, membros do partido França Insubmissa alegam perseguição política para prejudicar a legenda antes das eleições presidenciais.

Segundo o Ministério Público, "a investigação visa verificar as condições de emprego de Bally Bagayoko". O prefeito diz estar tranquilo quanto ao desfecho do caso, e os integrantes da LFI se mobilizam em apoio a ele.

Bally Bagayoko é alvo de uma investigação do Parquet National Financier (PNF) por desvio de verbas públicas, que busca verificar em quais condições o prefeito de Saint-Denis, filiado à França Insubmissa (LFI), pôde ser empregado na RATP enquanto exercia simultaneamente suas funções de eleito local. A investigação foi aberta em 19 de agosto por "desvio de verbas públicas, receptação e concussão", após a publicação de reportagens, especialmente no Canard enchaîné, e o recebimento de denúncias da associação AC!! Anti-corruption.

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A entidade anticorrupção, cujo presidente de honra é o ex-juiz Éric Halphen, apresentou duas denúncias. A primeira, baseada em um artigo do Canard enchaîné, citava diretamente Bagayoko. O semanário relatava que, "antes de conquistar a prefeitura de Saint-Denis, Bally Bagayoko acumulou por muito tempo um mandato local e um cargo de quadro na RATP". O texto mencionava sua contratação em 2000 e o acúmulo com funções de adjunto do prefeito, às quais se somou, por um período, o cargo de vice-presidente do conselho departamental.

A segunda denúncia, apresentada em meados de agosto, baseou-se em reportagens do site Mediapart e da revista Marianne, e denunciava a existência presumida de "um sistema organizado e estruturado de empregos fictícios, e não atos isolados" envolvendo eleitos parisienses e da Île-de-France na RATP, de diferentes correntes políticas. Segundo a denúncia, esses eleitos teriam sido "remunerados pela RATP por cargos sem atividade real, às vezes sem presença, às vezes sem ficha de função identificável".

LFI sai em defesa do prefeito

"Isso vai perder o fôlego, como sempre", afirma por telefone um deputado da LFI, que vê na investigação uma nova demonstração de "perseguição política" contra o partido. Desde a publicação do artigo do Canard enchaîné, os insubmissos mantêm a mesma posição: Bally Bagayoko não tem nada a se reprovar. Para eles, trata-se da equipe derrotada na eleição municipal de Saint-Denis tentando "criar problemas".

O caso também reacende a retórica antisistema. Jean-Luc Mélenchon denuncia a "casta" e os "supremacistas midiáticos". O coordenador da LFI, Manuel Bompard, manifestou seu "apoio total" a Bagayoko em uma publicação no X, na qual acusa uma "campanha de difamação" dirigida contra o prefeito de Saint-Denis.

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O deputado Aurélien Taché questiona diretamente a independência do Parquet National Financier, que tomou essa decisão enquanto a eleição presidencial se aproxima.

Desde o início, Bally Bagayoko rejeita o que chama de acusações absurdas. Um eleito da LFI afirma não temer qualquer impacto para a campanha de Jean‑Luc Mélenchon para presidente. Ele aparece em ascensão nas pesquisas.

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