Liderado por Ulrich Siegmund, o partido de extrema direita AfD alcança 42% das intenções de voto na Saxônia-Anhalt e busca uma vitória histórica no leste alemão em 6 de setembro. Explorando a nostalgia da antiga RDA e a insatisfação com a classe política tradicional, a sigla ameaça a hegemonia da CDU e pode obter maioria para governar sozinha, o que consolidaria a força do partido para disputas futuras em nível nacional.
Pascal Thibaut, correspondente da RFI em Berlim
Ulrich Siegmund, líder da chapa do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) na Saxônia‑Anhalt, exibia confiança neste domingo (23) de manhã em plena campanha eleitoral."Nós somos o futuro. Estamos ao lado da Alemanha e não vamos recuar um milímetro. No dia 6 de setembro, vamos escrever uma página de história e retomar nosso país", afrimou.
Aos 35 anos, o ex‑vendedor de perfumes, com aparência de "genro ideal" e sorriso permanente, se transformou em um orador habilidoso, capaz de eletrizar multidões. Embora pinte um quadro sombrio de uma região à beira da ruína e denuncie uma imigração ilegal que, segundo ele, gera insegurança, Siegmund evita os tons mais radicais de alguns colegas de partido. Mais do que o programa da AfD, ele quer transmitir uma mensagem de esperança a seus apoiadores, dando uma resposta a uma insatisfação profunda, marcada por uma rejeição maciça da classe política, do sistema político em geral e da mídia tradicional.
Diante dessas frustrações, a AfD tenta adotar um discurso mais positivo, cultivando, por exemplo, certa nostalgia da antiga RDA, a República Democrática alemã. A ideia não é defender um retorno ao regime comunista, algo improvável para um partido de extrema direita, mas explorar o sentimento de que "tudo era melhor antes".
Entre os mais jovens, é comum que eles se identifiquem antes de mais nada como "originários do Leste". A percepção de que a reunificação, apesar dos ganhos econômicos, transformou os alemães da ex‑RDA em cidadãos de segunda classe é amplamente difundida. A AfD quer, portanto, encarnar a revanche do Leste.
Neste domingo, Siegmund voltou a liderar pela região uma grande caravana de milhares de pessoas pilotando uma mobilete da era da RDA, a Simson, símbolo de liberdade no período comunista. Para os mais velhos, a mobilete desperta boas lembranças; para os jovens, é uma forma de afirmar a identidade "do Leste". Os adesivos colados nas motos reforçavam essa mensagem.
Vitória em 6 de setembro permitiria à AfD escrever uma página da história
Uma pesquisa recente atribui 42% das intenções de voto à AfD na eleição regional de 6 de setembro. Se confirmado nas urnas, o resultado deixaria o partido muito próximo de uma maioria de cadeiras do parlamento da Saxônia‑Anhalt, o que permitiria à sigla governar sozinha graças ao sistema eleitoral alemão.
A meta da direção é ampliar ainda mais essa vantagem nas duas semanas restantes de campanha. A mobilização dos apoiadores, a esperança depositada na AfD e a ampla aceitação do movimento na sociedade tornam esse cenário plausível, sobretudo porque a CDU, que governa o estado com sociais‑democratas e liberais, aparece muito atrás nas pesquisas, com cerca de vinte pontos de desvantagem.
Para reveter a situação, a CDU só teria uma opção realista: formar uma coalizão que incluísse o partido de esquerda Die Linke. Mas os democrata‑cristãos rejeitam qualquer aliança com essa sigla, assim como com a AfD. Para eles, o pleito que se aproxima parece um problema sem solução.
Entre os partidos de extrema direita relevantes na Europa, a AfD é um dos mais radicais. O diretório da Saxônia‑Anhalt elaborou um programa ainda mais duro que o nacional. Algumas propostas, porém, não são financiáveis ou não podem ser aplicadas por não serem de competência do estado, como a questão da imigração.
Para não frustrar seus eleitores, a AfD afirma que esses temas devem ser considerados no longo prazo. Mas o essencial está em outro ponto: vencer as eleições regionais na Saxônia‑Anhalt em 6 de setembro abriria caminho para outras vitórias, primeiro em outras unidades federativas e, depois, a médio prazo, em nível nacional.