Diante de um cenário político fragmentado na França, Raphaël Glucksmann desponta como líder da esquerda moderada para tentar unir ecologistas e o centro contra os extremos, distanciando-se do populismo de Jean-Luc Mélenchon. Paralelamente, enquanto cresce o anseio social pela moderação, a extrema direita liderada por Marine Le Pen e Jordan Bardella ganha influência econômica, embora especialistas apontem que seus planos fiscais contêm rombos orçamentários e propostas irrealistas.
Le Nouvel Obs traz um amplo perfil do eurodeputado Raphaël Glucksmann, líder do movimento Place Publique e recém-escolhido candidato da esquerda social-democrata (moderada), após vencer, com 66,17% dos votos, a primária realizada com o Partido Socialista (PS), contra seu líder, Olivier Faure (14,46%).
A reportagem detalha sua ruptura com Jean-Luc Mélenchon, principal figura da esquerda radical e líder do partido A França Insubmissa (LFI). O plano eleitoral de Glucksmann tem três etapas: unir a esquerda democrática e os ecologistas, atrair eleitores de centro desiludidos com Emmanuel Macron e conquistar o chamado voto útil para impedir a chegada da extrema direita ao poder.
Atração por moderados
Le Point explora os bastidores das relações entre socialistas e moderados, destacando François Hollande, ex-presidente socialista da França (2012-2017), que mantém uma postura de apoio distante enquanto aguarda uma eventual fragilização de Glucksmann diante da dureza da campanha.
A revista identifica o desejo de uma "França silenciosa" por moderação e valores universalistas, em oposição à polarização dos extremos. Destaca também o novo livro de Jean-Christophe Cambadélis, ex-primeiro-secretário do Partido Socialista, no qual ele critica a perda de espaço da esquerda tradicional e denuncia a deriva populista de Mélenchon e a complacência com o antissemitismo.
Programa irrealista da extrema direita
Finalmente, L'Express volta-se para o Reunião Nacional (RN), principal partido de extrema direita da França, analisando o programa econômico defendido por Marine Le Pen, sua principal líder, e Jordan Bardella, presidente do partido e figura em ascensão.
A revista apresenta uma avaliação do economista Antoine Levy, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, que classifica as metas fiscais do RN como "ficção científica" e "mágica contábil". Segundo sua análise, o partido camufla um rombo orçamentário com cortes de custos considerados irrealistas, incluindo €166 bilhões em economias, e subestima o custo real de sua proposta para as aposentadorias.
A reportagem mostra ainda como os eurodeputados do RN, antes isolados no Parlamento Europeu, passaram a ser procurados por grandes empresas e grupos de lobby industrial.