Sob pressão de Trump, Zelensky pede mais € 70 bilhões à União Europeia

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sob pressão dos Estados Unidos de Donald Trump, fez um apelo aos aliados europeus nesta sexta-feira (16) e pediu mais € 70 bilhões ( (cerca de R$ 396 bilhões) para financiar o esforço de guerra contra Moscou no próximo ano.

16 out 2026 - 15h53
(atualizado às 15h55)
Resumo
Em cúpula em Bruxelas, Volodymyr Zelensky solicitou mais € 70 bilhões à União Europeia para conter a Rússia em 2025, diante de um custo de guerra estimado em € 155 bilhões. O pedido ocorre sob crescente pressão de Donald Trump, que criticou a postura do líder ucraniano. Embora a UE reafirme o compromisso de não abandonar a Ucrânia e avalie cobrir as necessidades financeiras, líderes como Emmanuel Macron pregam cautela sobre novos valores além dos empréstimos já previstos.

Volodymyr Zelensky evitou fazer críticas diretas ao presidente americano ao ser questionado sobre a relação difícil entre os dois durante uma cúpula europeia realizada em Bruxelas.

O presidente ucraniano se limitou a esboçar um sorriso e permanecer em silêncio ao ser questionado se estaria servindo como bode expiatório de Trump a poucas semanas das eleições de meio de mandato, que se mostram desfavoráveis para o republicano.

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O presidente americano classificou como uma "vergonha" a retomada dos ataques ucranianos a refinarias russas. "É mais difícil trabalhar com Zelensky do que com Putin", voltou a afirmar Donald Trump, que já pediu diversas vezes a saída de Zelensky e não esconde sua admiração pelo presidente russo.

Novos ataques

Na quinta-feira, a Ucrânia foi alvo de mil drones, afirmou Zelensky. "Mil! Mas os americanos dizem que é difícil conversar com Zelensky, que é mais fácil lidar com Putin. Ora, faça-me o favor!", declarou aos jornalistas.

Sem querer romper com a administração Trump, o presidente ucraniano ressaltou que sua equipe mantém negociações com a equipe americana responsável pelas negociações. "Eles vão acertar uma reunião em algum nível", garantiu Zelensky nesta sexta-feira à imprensa.

Zelensky também agradeceu aos líderes europeus, que descreveu como "verdadeiros líderes, ao nosso lado desde o início desta guerra". Ao recebê-lo na manhã de sexta-feira, os dirigentes dos 27 países da União Europeia asseguraram seu apoio, embora saibam que terão de aumentar sua contribuição financeira no próximo ano.

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"A guerra custará € 155 bilhões no ano que vem. E precisamos de pelo menos mais € 70 bilhões de vocês", declarou Volodymyr Zelensky aos chefes de Estado e de governo da União Europeia. "É um valor realista. E peço que encontrem esse apoio. Isso nos ajudará a conter a Rússia", insistiu.

Embora a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tenha endossado esse número e afirmado que será necessário cobrir essa necessidade de financiamento, outros líderes demonstraram mais cautela.

"A Ucrânia apresentou seu pedido, mas ainda é cedo para falar em valores", destacou o presidente francês, Emmanuel Macron.

Os europeus já concordaram em conceder à Ucrânia € 90 bilhões em empréstimos, dos quais € 45 bilhões ainda deverão ser desembolsados no próximo ano. Esse continua sendo o valor previsto, embora "estejamos obviamente avaliando todas as opções", assegurou Macron.

"A forma como definiremos as necessidades financeiras e quais recursos adicionais serão necessários ficará mais clara nas próximas semanas", afirmou, por sua vez, o chanceler alemão Friedrich Merz.

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"Guerra de resistência"

Para os europeus, porém, não há qualquer intenção de abandonar a Ucrânia após as mudanças de posição dos Estados Unidos. "Não vamos abandonar a Ucrânia nem os ucranianos, porque esta é uma guerra de resistência contra a agressão russa", declarou Emmanuel Macron.

Diante das "ambiguidades" de alguns líderes, numa aparente referência a Donald Trump, "o papel dos europeus é manter sua posição", acrescentou. "Também estamos trabalhando intensamente para ajudar a Ucrânia a fortalecer sua capacidade de resistência por meio de imagens de satélite e sistemas de alerta antecipado."

Nos últimos dias, Kiev lamentou não ter sido avisada por seus aliados sobre ataques russos iminentes e relatou restrições ao uso dos serviços de satélite da empresa SpaceX, de Elon Musk, considerados essenciais para suas forças armadas. Segundo Volodymyr Zelensky, essas capacidades de conexão ainda não foram totalmente restabelecidas.

O presidente ucraniano também ressaltou que é indispensável manter a pressão sobre o Kremlin, que, segundo ele, continua empenhado na "destruição" da Ucrânia.

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Nesta sexta-feira, Vladimir Putin avaliou como "positiva" a situação de suas tropas na linha de frente na Ucrânia e afirmou que elas ainda precisam conquistar pouco mais de 10% da região ucraniana de Donetsk, no leste do país, dentro da região do Donbass.

Com AFP

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