França tem sábado de protestos contra o alto custo de vida e em defesa da educação

Milhares de manifestantes, entre estudantes do ensino médio, universitários, coletes amarelos, ativistas do clima e sindicalistas, são esperados neste sábado (17) em toda a França para protestar contra o alto custo de vida e exigir mais recursos para a educação.

16 out 2026 - 15h33
Resumo
A França enfrenta uma onda de protestos contra o aumento do custo de vida e em defesa da educação, unindo estudantes, sindicatos e coletes amarelos. Com previsão de 150 mil manifestantes na Grande Paris e centenas de atos nacionais, a polícia proibiu concentrações em pontos estratégicos e reforçou a segurança contra a violência. A chamada convergência das lutas preocupa o governo, que lida com tensões sociais, perda do poder de compra e crise da dívida pública.

O chefe da polícia de Paris, Patrice Faure, publicou nesta sexta-feira (16) decretos que proíbem manifestações em diversos setores estratégicos da capital, incluindo áreas próximas ao Palácio do Eliseu, ao Hôtel Matignon e à avenida Champs-Élysées.

Segundo a polícia, estarão proibidos, das 7h às 22h, os atos, concentrações e cortejos que não tiverem sido previamente comunicados às autoridades. De acordo com uma fonte policial, cerca de 150 mil pessoas devem participar das manifestações na região parisiense.

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A previsão é de aproximadamente 40 mil manifestantes desfilem na capital. Em todo o país, cerca de 500 ações estão previstas e mais de 90 manifestações estão em fase de organização. 

Neste sábado, o uso de granadas de efeito moral, suspenso durante o movimento estudantil, poderá ser autorizado em casos de "violência urbana extremamente grave", segundo o Ministério do Interior. 

A chamada "convergência das lutas", vista com preocupação pelo governo, ocorre em meio a fortes tensões sociais, alavancadas pela alta dos combustíveis e pela perda do poder de compra da população. A segunda maior economia da zona do euro está sob estreita vigilância dos mercados financeiros e enfrenta uma crise da dívida pública. 

Estudantes exibem uma bandeira francesa durante manifestação em Paris; movimento ganhou força com reivindicações por mais recursos para a educação e contra o aumento do custo de vida.
Estudantes exibem uma bandeira francesa durante manifestação em Paris; movimento ganhou força com reivindicações por mais recursos para a educação e contra o aumento do custo de vida.
Foto: RFI

'O poder tem medo' 

A lembrança do movimento dos coletes amarelos, que participará das manifestações neste sábado, marcou o início do primeiro mandato do presidente Emmanuel Macron entre 2018 e 2019.

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O movimento começou em protesto contra o aumento dos impostos sobre os combustíveis. As imagens da violência registrada à margem das manifestações, especialmente na avenida Champs-Élysées, ganharam repercussão mundial. 

A mobilização, sem precedentes, foi marcada por 11 mortes relacionadas aos protestos, além de 23 pessoas que perderam um olho, cerca de 2.500 manifestantes feridos e 1.800 integrantes das forças de segurança feridos. 

"Não se trata apenas de um movimento dos coletes amarelos, nem apenas de estudantes do ensino médio e universitários. É todo um povo que está se levantando, e é por isso que o poder tem medo", afirmou Benjamin Ball, editor do site 17 octobre, bloquons tout (vamos bloquear tudo). 

Movimento estudantil ganhou força na França, enquanto o governo tenta conter a escalada da crise e reduzir a tensão provocada pelos protestos.
Foto: RFI

Segundo Sophie Binet, líder da central sindical CGT, as diversas reivindicações da mobilização, especialmente contra o alto custo de vida, que reúne coletes amarelos, agricultores e motoristas de aplicativos, convergem com as demandas dos estudantes. 

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"É preciso compreender a gravidade da situação. Hoje, comprar tomates, abobrinhas ou abastecer o carro está se tornando um luxo. Há milhões de trabalhadores completamente sufocados e que já não conseguem fechar as contas", afirmou a sindicalista. 

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu avaliou na quinta-feira (15) que o movimento se transformou em "um movimento de violência urbana", o que, segundo ele, "é uma injustiça com os estudantes". Após um mês de bloqueios em escolas, o movimento dava sinais de enfraquecimento nesta sexta-feira. 

Até agora, a única resposta concreta apresentada pelo governo foi um plano emergencial para substituir professores ausentes. Segundo o Ministério da Educação, 2.000 substitutos já foram designados, dos 3.000 prometidos. 

Com agências

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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