François Hollande alerta para a necessidade de uma autonomia estratégica europeia que preserve a soberania, a identidade e a capacidade de defesa do continente. "Estamos diante de uma escolha de destino. A primeira, agora incorporada em algumas mentes, à direita ou à extrema direita, é entrar em uma lógica de isolamento e nos tornarmos aliados dóceis dos Estados Unidos", diz.
"O outro caminho consiste em preparar um futuro que será mais difícil, mais árduo, com conflitos comerciais, tensões com aquele que até então era nosso principal aliado, com riscos para nossa segurança. Temos de determinar o mais rápido possível se queremos ser livres e capazes de defender nosso continente contra qualquer agressão, mesmo que venha dos Estados Unidos na Groenlândia", opinou o ex-presidente francês.
Libération também traz entrevistas com Yaël Braun-Pivet, presidente da Assembleia Nacional, e com o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin (2005-2007), que mencionam, assim como Hollande, preocupações com a política dos Estados Unidos. Os três pedem aos europeus que sejam mais "vigilantes" em relação às intenções do presidente Trump na Groenlândia.
Nova política americana
Em sua edição desta quinta-feira, o jornal francês Le Monde também destaca as possíveis consequências da nova política americana. "Desde que chegou à Casa Branca, Trump tem multiplicado as ações militares e os golpes de força em todo o mundo". Esse imperialismo desenfreado suscita uma preocupação crescente entre os países aliados dos Estados Unidos, mas também gera "perplexidade ou rejeição" no Congresso americano, destaca o veículo francês.
Os parlamentares agora questionam as "intenções do governo americano em relação à Groenlândia", aponta Le Monde, "à medida que o choque inicial se dissipa em torno da operação que levou ao sequestro, em Caracas, de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores". De acordo com o jornal, a movimentação internacional faz com que "os europeus mostrem sua união e determinação para tentar influenciar a política americana".