Conselho Europeu aprova acordo comercial entre União Europeia e Mercosul

A decisão foi tomada pelos governos dos 27 países do bloco em reunião de embaixadores em Bruxelas. A Comissão Europeia agora pode avançar com a assinatura do tratado com os países sul-americanos.

9 jan 2026 - 09h18
(atualizado às 11h54)

Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas

O acordo comercial entre União Europeia e Mercosul superou nesta sexta-feira (09) sua etapa mais difícil. A parceria foi aprovada pelo Conselho Europeu, em reunião do Comitê de Representantes Permanentes (Coreper), que reúne embaixadores de todos os países do bloco.

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fica agora autorizada a assinar formalmente o acordo com os países sul-americanos. Depois desta etapa o texto já passa a ter validade legal, ou seja, a parceria comercial começa a valer na prática. Mesmo assim o documento ainda precisará passar por uma última fase: a ratificação pelo Parlamento Europeu, prevista para ocorrer ao longo deste ano.

O ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, celebrou o acordo como "um sinal importante neste momento" de tensões comerciais. Segundo o vice‑chanceler, "enquanto outros países fecham suas fronteiras e adotam políticas comerciais cada vez mais agressivas, a Europa conta com novas parcerias para impulsionar o crescimento e o comércio".

Segundo um diplomata e o ministro da Agricultura polonês, 21 países votaram a favor do acordo. França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra, e a Bélgica se absteve.

Voto decisivo da Itália

O voto decisivo para destravar a aprovação no Conselho veio da Itália. Para garantir o apoio do governo de Giorgia Meloni, a Comissão Europeia apresentou uma série de medidas voltadas ao setor agrícola europeu, um dos principais focos de resistência ao acordo.

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Além das salvaguardas reforçadas pelo Parlamento Europeu, que funcionam como mecanismos de proteção extra para os agricultores do bloco, a Comissão anunciou nesta semana novas concessões ao setor. Entre elas, um adiantamento de € 45 bilhões em financiamentos e a redução de impostos sobre emissões de carbono relacionadas ao uso de pesticidas.

Essas iniciativas foram suficientes para convencer o governo italiano. A votação, inicialmente prevista para a cúpula do Conselho em dezembro, havia sido adiada a pedido de Meloni, que solicitou mais tempo para dialogar com o setor agrícola italiano. Na ocasião, ela chegou a telefonar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para explicar que a Itália não era contrária ao acordo.

França manteve voto contrário

O apoio da Itália foi essencial para que o texto atingisse a maioria qualificada, reunindo países que representam ao menos 65% da população da UE. Apesar da aprovação, alguns países mantiveram sua posição contrária. A França continua sendo o principal foco de resistência. O presidente Emmanuel Macron confirmou na véspera da votação que o Eliseu manteria sua oposição.

Na quinta-feira, milhares de manifestantes voltaram às ruas em Paris para protestar contra o acordo, temendo impactos negativos para os agricultores franceses. Em Bruxelas, porém, não houve registro de grandes mobilizações nesta quarta-feira. O tempo chuvoso, frio e com ventos fortes contribuiu para a tranquilidade nas ruas ao redor das instituições europeias.

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