O papa também voltou a manifestar sua oposição ao aumento dos gastos militares europeus, exigindo dos responsáveis políticos o fim das "guerras que devastam o planeta". Segundo Leão XIV, "o mundo atravessa uma profunda crise espiritual e cultural, que se manifesta por meio de múltiplas formas de violência, polarização e desconfiança recíproca".
O pontífice também pediu aos governos que se mobilizem em favor dos migrantes. Para ele, a falta de ajuda coloca em xeque "os fundamentos éticos da ordem internacional". Leão XIV acrescentou que os Estados devem, antes de tudo, combater as situações que levam as pessoas a deixar seus países de origem. O discurso, em espanhol, foi aplaudido durante sete minutos pelos parlamentares.
Segundo o papa, "a grandeza moral de uma nação se manifesta antes de tudo em sua capacidade de acolher, proteger e amar essas vidas que atravessam sua maior fragilidade".
O papa tem um encontro com migrantes e associações nas Ilhas Canárias na sexta-feira (12), último dia de sua viagem à Espanha.
No mês passado, o sumo pontífice também publicou um manifesto pedindo a governos do mundo todo que desacelerem o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial e reiterou nesta segunda a necessidade de uma "vigilância ética rigorosa" sobre o uso dessa tecnologia em conflitos armados.
Leão XIV também afirmou que o aumento dos gastos militares europeus, que registraram no ano passado seu maior crescimento desde o fim da Guerra Fria sob pressão do presidente americano Donald Trump, é "preocupante".
Abusos sexuais na igreja e aborto
Em que o governo de esquerda do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez deseja incluir o direito ao aborto na Constituição, após aprovar uma lei de eutanásia em 2021, o papa não escondeu sua oposição sobre o assunto. "Toda vida humana deve ser reconhecida e protegida de sua concepção até o seu fim natural", afirmou. "Quando esta certeza se obscurece, os mais vulneráveis são as primeiras vítimas", acrescentou.
Leão XIV falou ainda sobre a necessidade de manter um equilíbrio nas relações entre Igreja e Estado para garantir a liberdade religiosa, afirmando que a fé "não pode ser relegada ao silêncio como se não tivesse relevância na vida pública".
Ele defendeu o sigilo da confissão católica, que impede um padre de revelar qualquer informação que lhe é confiada por penitentes, considerando isso uma forma de preservar "um espaço sagrado de liberdade interior, onde o fiel pode abrir sua alma diante de Deus".
Mas, em reunião com bispos católicos após seu discurso no Parlamento, o papa afirmou que eles devem ouvir as vítimas de abusos e oferecer reparações. Ele também pretende se reunir com um grupo de vítimas durante a visita, mas não deu mais detalhes.
Com agências