Nesse cenário, a população com mais de 65 anos ultrapassaria a dos menores de 20 anos em 2070, segundo o Instituto. Eles representariam 32% da população. Nessa projeção, o crescimento populacional "seria devido exclusivamente à migração líquida", ou seja, à diferença entre o número de pessoas que entram e saem do país, especifica o Insee.
O instituto realiza esse exercício a cada cinco anos para verificar a direção demográfica do país e subsidiar o debate público, explica Loup Wolff, chefe da unidade de estudos demográficos e sociais do Insee, durante uma coletiva de imprensa on-line.
No cenário denominado "central" (baseado em médias), o crescimento vegetativo, que é a diferença entre nascimentos e óbitos, deverá ser negativo a partir de 2025 em um país que atualmente possui 69,1 milhões de habitantes. A partir de 2037, a migração líquida deixaria de compensar o declínio vegetativo e a população começaria a diminuir, atingindo 65,9 milhões de habitantes em 2070, nível comparável ao de 2014.
"No passado recente, não há exemplo de um declínio populacional dessa magnitude", observou Loup Wolff.
Mulheres têm menos filhos
Para estabelecer essa projeção, o Insee baseou-se, entre outros fatores, na premissa de queda da taxa de fecundidade total, de 1,56 filho por mulher em 2025 para 1,45 em 2028, estabilizando-se em seguida. Considerou-se também a hipótese de uma migração líquida positiva de 150 mil pessoas, média da última década.
O declínio da população até 2070 "é apenas provável"; o envelhecimento, porém, é "certo", enfatiza o Insee, sobretudo devido ao aumento da expectativa de vida.
População idosa
No cenário considerado, o número de habitantes com mais de 65 anos passaria de 15,3 milhões em 2026 para 21,1 milhões em 2070. Atualmente, eles representam 22% da população, proporção quase equivalente à dos menores de 20 anos; em 2070, esse índice chegaria a 32%, o dobro da parcela mais jovem.
Esse envelhecimento "seria impulsionado principalmente pelo aumento do número de pessoas com 80 anos ou mais". O número de centenários, por sua vez, poderia quadruplicar entre hoje e 2070, passando de 37 mil para 160 mil;, embora ainda representem apenas 0,24% da população, contra 0,05% em 2026.
Diante desse cenário, a França deverá enfrentar importantes desafios e promover adaptações estruturais, especialmente em áreas como mercado de trabalho, sistema de aposentadorias, saúde e políticas migratórias. O envelhecimento acelerado da população e a redução do contingente ativo tendem a pressionar as contas públicas e a transformar a organização social, exigindo respostas futuras para garantir o equilíbrio econômico e a coesão social do país.
Com agências