Armênia: vitória do partido do premiê reforça guinada ao Ocidente

O partido do primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, venceu as eleições parlamentares de domingo (7), segundo os resultados preliminares divulgados nesta segunda-feira (8). A vitória deve consolidar a mudança geopolítica da nação caucasiana em direção ao Ocidente, afastando-se da influência da Rússia. Moscou denunciou a "pressão" sobre a oposição e a "interferência" da União Europeia nas eleições.

8 jun 2026 - 10h48

Após a contagem de todos os votos das seções eleitorais, o partido do premiê, Contrato Civil, tinha uma clara vantagem sobre seu oponente, a Aliança Armênia Forte, liderada pelo empresário russo-armênio Samvel Karapetyan, com 49,8% e 23,3% dos votos, respectivamente.

Nikol Pashinyan reivindicou uma "vitória histórica", prometendo continuar a corrida por estreitar os laços com o Ocidente, ao mesmo tempo em que declarou sua intenção de manter relações fortes com a Rússia.

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O ex-jornalista de 51 anos tem a ambição de reorientar as relações da ex-república soviética em direção à Europa e aos Estados Unidos, chegando a sugerir uma possível adesão à UE, o que provocou a ira de Moscou. O Kremlin ameaçou Ierevan com sérias consequências.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou no X que a UE está "com a Armênia", que, segundo ela, está "se aproximando cada vez mais da Europa".

O presidente francês Emmanuel Macron, que visitou Ierevan no mês passado para transmitir uma forte mensagem pró-europeia, também declarou seu desejo de apoiar a aproximação da Armênia com a Europa.

Outras duas forças de oposição, a Aliança Armênia, do ex-presidente Robert Kocharyan, e o partido Armênia Próspera, receberam 9,9% e 4% dos votos, respectivamente, de acordo com a Comissão Eleitoral. A participação eleitoral foi de 59%, segundo a mesma fonte.

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O primeiro-ministro fez campanha enfatizando sua imagem de líder próximo ao povo e contrário às antigas elites pós-soviéticas, apesar das críticas de seus oponentes, que denunciam suas tendências cada vez mais autoritárias.

O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, ao centro, olha para os fotógrafos após votar em uma seção eleitoral durante as eleições parlamentares em Ierevan, Armênia, em 7 de junho de 2026.
O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, ao centro, olha para os fotógrafos após votar em uma seção eleitoral durante as eleições parlamentares em Ierevan, Armênia, em 7 de junho de 2026.
Foto: RFI

"Fantoches russos"

O principal rival de Pashinyan, Samvel Karapetyan, denunciou as eleições parlamentares como "vergonhosas" e citou violações e repressão à oposição, incluindo, segundo ele, a prisão de dezenas de membros de sua equipe de campanha.

Karapetyan está em prisão domiciliar desde 2025 sob acusações, que ele nega, de "conspiração para usurpar o poder". Os adversários de Pashinyan o acusam de usar a polícia e os tribunais para pressionar seus oponentes, inclusive dentro da influente Igreja Apostólica.

"Para mim, o que importa é que tudo se desenrolou mais ou menos calmamente, sem derramamento de sangue", disse Sargis Haroutyounyan, um aposentado de 81 anos, à AFP nas ruas de Ierevan.

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Aram Mnatsakanyan, um soldador de 58 anos, está "muito feliz que nosso povo tenha depositado sua confiança em Pashinyan mais uma vez", denunciando a oposição como "fantoches russos corruptos".

Com esse resultado, o partido de Nikol Pashinyan conquistou cadeiras suficientes no novo parlamento para formar o próximo gabinete, segundo o analista armênio Armen Badalian. No entanto, não conseguiu a maioria esmagadora necessária para aprovar as emendas constitucionais, exigidas pelo Azerbaijão como condição prévia para um acordo de paz definitivo.

Partidários do magnata russo-armênio Samvel Karapetyan, candidato na eleição legislativa, durante uma manifestação contra o atual primeiro-ministro Nikol Pashinyan na Praça da República, em Erevan, em 3 de junho de 2026, na reta final do pleito.
Foto: RFI

Laços mais estreitos com a UE

A Armênia sofreu uma derrota militar contra o Azerbaijão em 2020 na batalha pelo controle do enclave de Nagorno-Karabakh, que foi definitivamente recapturado à força por Baku em 2023. Esse evento desencadeou o êxodo de cerca de 100 mil armênios que viviam no território.

Pashinyan apresentou a votação como uma escolha entre uma paz duradoura, ainda que controversa e incerta, com o Azerbaijão e uma nova "guerra catastrófica" com Baku.

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"O povo armênio votou pela prosperidade e cooperação regional, e espero que isso gere uma resposta positiva da Turquia e do Azerbaijão", disse o primeiro-ministro armênio em uma coletiva de imprensa, enfatizando que "a paz entre a Armênia e o Azerbaijão deve ser institucionalizada".

A derrota para o Azerbaijão e a perda de Nagorno-Karabakh tensionaram as relações com a Rússia, que Ierevan acusa de não intervir suficientemente em seu favor. Unidas por dois séculos de história, a Armênia e a Rússia ainda são oficialmente aliadas.

Pouco antes da eleição, o presidente russo, Vladimir Putin, alertou contra a repetição do "cenário ucraniano". Principal parceira econômica da Armênia, a Rússia impôs restrições às importações agrícolas do país.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por sua vez, parabenizou Nikol Pashinyan nesta segunda-feira, pedindo à UE que forneça apoio concreto o mais rápido possível.

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(Com AFP)

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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