Segundo as autoridades iranianas, quatro pessoas morreram nos ataques americanos da noite anterior nos arredores da cidade petrolífera de Ahvaz, no oeste do país. A agência estatal Irna informou ainda que o quartel-general da Marinha da Guarda Revolucionária, na cidade de Zibakenar, no norte do país, foi atingido, causando danos materiais, sem deixar vítimas. A mídia estatal iraniana também relatou explosões no sul do país e na Ilha de Qeshm, próxima ao Estreito de Ormuz.
Segundo o Exército iraniano, drones kamikazes Arash atingiram depósitos de combustível, armazéns de equipamentos, silos e quartéis da base aérea Sheikh Isa, no Bahrein. As forças iranianas reivindicaram ataques contra a base aérea de Al-Azraq, na Jordânia, onde teriam sido atingidos hangares de aeronaves, instalações de manutenção e quartéis militares. Até o momento, as autoridades jordanianas não informaram ter registrado ataques em seu território.
No Kuwait, Teerã afirmou ter destruído depósitos de material das forças americanas em Camp Udairi e atingido instalações militares em Camp Arifjan, onde está localizado o quartel-general avançado das forças terrestres do Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom). A base aérea Ali al-Salem também teria sido alvo dos ataques, segundo os Guardiões da Revolução.
O Irã declarou ainda que considera alvo legítimo qualquer instalação militar no Oriente Médio utilizada pelos Estados Unidos para lançar ataques contra seu território.
Nesse contexto, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, advertiu nesta sexta-feira que qualquer país que "participar ou ajudar" Washington em sua ofensiva contra o Irã será considerado responsável e alvo de "todas as medidas necessárias no âmbito da legítima defesa".
Trump ameaça Irã e houthis após nova escalada militar
A nova escalada ocorre em meio à campanha militar conduzida por Washington contra o Irã, que já chegou à 13ª noite consecutiva de ataques. O aumento das tensões alimenta temores de um alastramento do conflito por toda a região, envolvendo países que abrigam bases militares americanas.
Diante desse cenário, Donald Trump prometeu uma "grande punição militar" contra o Irã e os houthis do Iêmen. A ameaça foi feita após os rebeldes iemenitas reivindicarem ataques contra petroleiros sauditas no Mar Vermelho, uma das principais rotas do comércio marítimo mundial.
A crise também aumenta as preocupações com o fornecimento global de energia. Enquanto os houthis continuam perturbando a navegação no estreito de Bab el-Mandeb, Teerã mantém pressão sobre o estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa uma parcela significativa das exportações mundiais de petróleo.
Analistas alertam que uma escalada do conflito pode provocar novas turbulências nos mercados e pressionar os preços da energia em todo o mundo.
RFI com AFP