"Em nenhum momento posso descartar ter uma opinião diferente da dele, nem deixar de expressar uma posição distinta quando isso for do interesse do Reino Unido", declarou o líder trabalhista, que assumiu o governo na segunda-feira após suceder Keir Starmer no comando do Labour, segundo trechos de uma entrevista à BBC.
Burnham conversou com o presidente americano já no seu primeiro dia em Downing Street.
"Vou avaliar pelos fatos. Achei que ele foi muito cordial na segunda-feira, mas, claro, continuaremos a construir essa relação conforme avançarmos", afirmou.
Questionado duas vezes sobre se confiava em Donald Trump, respondeu: "O mundo muda… e é preciso se adaptar à evolução da situação. Em nenhum momento posso afirmar que nunca terei uma opinião diferente da dele ou que não precisarei defender uma ideia distinta, mais adequada ao Reino Unido. E farei isso."
Como primeiro-ministro, "você precisa defender o seu próprio interesse nacional acima de qualquer outra coisa", insistiu Burnham, de 56 anos, que chegou a Downing Street após quase dez anos à frente da região metropolitana de Manchester, no norte da Inglaterra.
Depois da conversa telefônica de segunda-feira, Trump afirmou em sua plataforma Truth Social que o novo chefe de governo tem "muito trabalho pela frente, mas será capaz de fazê-lo". Ele também garantiu que os Estados Unidos estarão "lá para ajudar".
No mês passado, ao ser questionado sobre Burnham, então cotado para assumir o governo, Trump disse que ele parecia "extremamente liberal", no sentido social do termo.
O presidente americano não hesitou em criticar Keir Starmer, especialmente depois que o ex-premiê britânico se recusou a apoiar integralmente os ataques israelenses e americanos contra o Irã.
Em outra entrevista neste domingo, o novo ministro britânico da Defesa, Wes Streeting, também evitou dizer se confiava em Donald Trump.
"Eu não o conheço, mas confio nos Estados Unidos", afirmou à Sky News.
Com AFP