Israel afirma ter atacado alvos militares no oeste e centro do Irã na madrugada da segunda-feira (8/6) pelo horário local.
Os ataques ocorrem mesmo após o presidente americano Donald Trump ter pedido ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que não retaliasse o Irã por bombardeios com mísseis e drones ao norte de Israel no domingo (7/6).
O Irã bombardeou Israel após ataques israelenses a Beirute, no Líbano.
"Há pouco tempo, a Força Aérea Israelense atacou alvos militares pertencentes ao regime terrorista iraniano no oeste e centro do Irã", escreveram as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) no Telegram.
Não foram fornecidos mais detalhes sobre vítimas ou a localização exata dos ataques. A televisão estatal iraniana reportou explosões em três cidades.
"Várias explosões ouvidas em Teerã, Tabriz e Isfahan", postou a TV estatal no Telegram. Explosões também foram ouvidas perto da cidade central de Karaj.
Os preços do petróleo sobem na manhã de segunda-feira nos mercados asiáticos, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio.
O preço do Brent, referência global, subiu 2,6%, para US$ 95,50 o barril, enquanto o WTI, petróleo negociado nos EUA, avançou 2,5%, para US$ 92,75.
As cotações da matéria-prima têm apresentado oscilações bruscas desde o acordo de cessar-fogo em abril.
Ataques do Irã a Israel
Mais cedo, as Forças de Defesa de Israel afirmaram ter interceptado uma onda de mísseis iranianos no norte do país.
Foi a primeira vez que o Irã atacou diretamente Israel desde o frágil cessar-fogo acordado entre os dois países e os Estados Unidos em abril.
Segundo os militares israelenses, sirenes foram acionadas em diversas partes do território israelense.
"O Sistema de Defesa Aérea está atualmente identificando e interceptando ameaças", disse o comunicado das IDF.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) também publicou um comunicado, dizendo que "nossas unidades de mísseis e drones lançaram um ataque coordenado e intensivo contra o coração das cidades do norte" de Israel.
"Esta operação não é um evento passageiro, mas sim o início de uma semana inteira de ataques contínuos", afirmou a Guarda Revolucionária iraniana.
"Ondas de mísseis e drones continuarão sendo lançadas ininterruptamente pelos próximos sete dias, até que o inimigo seja dissuadido e cesse seus crimes."
"Qualquer ataque ao território iraniano será recebido com uma resposta devastadora e esmagadora, além de todas as expectativas", disse a autoridade militar iraniana, antes dos novos ataques israelenses ao Irã.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse no comunicado que os ataques de domingo contra Israel "serviram como um aviso".
Acrescentou que, caso os "atos de agressão" de Israel — referindo-se ao ataque ao Líbano hoje mais cedo — se repitam, as respostas serão "mais abrangentes", englobando "todos" os alvos americanos e israelenses na região, informa Ghoncheh Habibiazad, repórter sênior do serviço persa da BBC.
A IRGC reivindica ter atacado a Base Aérea de Ramat David, localizada a sudeste de Haifa, com mísseis balísticos.
Também acusa os EUA e Israel de "não cumprirem seus compromissos" no âmbito do cessar-fogo entre Irã, EUA e Israel, que entrou em vigor no início de abril.
Israel atacou Beirute
Mais cedo no domingo, Israel atingiu o sul de Beirute, no primeiro ataque à capital libanesa desde o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos na semana passada.
Dois ataques aéreos contra dois prédios residenciais em um reduto do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, mataram duas pessoas e feriram pelo menos 20, incluindo mulheres e crianças, informou o Ministério da Saúde do Líbano.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel atacou "o quartel-general terrorista no distrito de Dahieh, em Beirute, em resposta aos disparos do Hezbollah contra território israelense". O Hezbollah confirmou posteriormente ter disparado contra posições militares israelenses.
Após o ataque a Beirute, as Forças de Defesa de Israel disseram que estavam "se preparando para possíveis disparos" contra Israel nas horas seguintes.
A Força Aérea de Israel afirmaram ter interceptado "todos os mísseis lançados do Irã até o momento".
Acrescentaram ainda que "outros lançamentos" foram identificados e que as forças armadas israelenses estavam "detectando e interceptando ameaças continuamente".
Depois dos ataques do Irã ao norte de Israel, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, de direita radical, afirmou que Teerã "deve queimar".
"Esta noite, Teerã deve queimar!", declarou Ben-Gvir em uma breve postagem em hebraico na rede social X (antigo Twitter).
Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Effie Defrin, afirmou em um curto comunicado que o regime iraniano cometeu um "grave erro".
Trump pediu a Netanyahu para não retaliar
O presidente dos EUA, Donald Trump, instou o Irã a retornar à mesa de negociações após o lançamento de mísseis contra o norte de Israel.
Em entrevista à emissora americana Fox News, Trump transmitiu uma mensagem ao Irã: "Vocês lançaram seus mísseis. Isso já basta. Voltem à mesa de negociações e façam um acordo."
Mais tarde, ao Financial Times, Trump declarou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não teria outra escolha senão aceitar qualquer acordo que os EUA fecharem com o Irã.
"Ele não terá escolha", disse Trump ao jornal britânico por telefone. "Quem manda sou eu. Eu tomo todas as decisões. Ele [Netanyahu] não manda em nada."
Trump disse ao Financial Times que os últimos ataques não tiveram "nenhum impacto no acordo".
"Veremos como isso termina", disse Trump. "É uma daquelas coisas que já dura 3 mil anos, ou 47 anos, dependendo de como se conta."
Trump havia dito anteriormente ao site de notícias americano Axios que pediria a Netanyahu que não retaliasse contra o Irã pelo último ataque, para garantir que os três lados pudessem salvar um acordo.
O presidente dos EUA depois reiterou essa mensagem ao Canal 12 de notícias de Israel, dizendo que não queria ver "um ataque adicional esta noite", segundo o jornal Times of Israel.
"Os ataques iranianos não prejudicaram ninguém", disse Trump. "Cada um se divertiu. Israel teve seu ataque e o Irã teve o seu. Não precisamos de outro."
Ele acrescentou que ligaria para Netanyahu "agora mesmo e diria para ele não retaliar".