A marcha silenciosa em homenagem à menina reuniu cerca de 6 mil pessoas na cidade rural de Fleurance. "Lyhanna deve estar muito emocionada ao ver, lá de cima, todas essas pessoas reunidas por ela", disse uma tia da vítima de 11 anos, durante o protesto, ao lado dos pais da criança e do prefeito da cidade.
"Nosso pequeno mundo inteiro desabou", continuou ela, pedindo "perdão" à sobrinha. Sob um sol escaldante, a marcha percorreu as ruas de Fleurance, com os pais e o irmão mais novo de Lyhanna à frente de uma grande e solene procissão.
A criança havia desaparecido no dia 29 de maio. Na ocasião, Lyhanna foi vista entrando no carro de um homem de 41 anos, pai de uma das amigas dela, em frente à escola onde estudava. O homem está em prisão preventiva e, na segunda-feira (1°), foi formalmente acusado por sequestro e cárcere privado.
O corpo da menina foi encontrado sete dias depois dentro de um silo em uma propriedade rural, na qual o principal suspeito do crime já trabalhou, em Puycasquier.
"Tragédia que se desenrola há tempos"
Vestidos de branco e carregando flores, os participantes do protesto reuniram-se em frente ao centro de lazer de Fleurance. A procissão parou várias vezes para momentos de reflexão, principalmente em frente à escola de ensino fundamental da cidade, onde Lyhanna estudava.
Lá, algumas pessoas depositaram flores. Reunidos em uma praça ao final da marcha, a família agradeceu às milhares de pessoas que foram apoiá-los. "A realidade é que Lyhanna é o ato mais recente de uma tragédia que se desenrola há muito tempo. A tragédia de silenciar as vozes das crianças", denunciou o prefeito de Fleurance, Grégory Bobbato, ao final da marcha.
O chefe do executivo local alertou para "uma falha em nossa missão mais importante como representantes eleitos, como nação".
"Houve falhas graves", diz ministro da Justiça
Je demanderai, dès lundi matin, aux procureurs généraux, réunis place Vendôme, une revue complète de l'ensemble des 70 000 plaintes concernant des enfants abusés sexuellement. Je les recevrai chacun individuellement pour m'en assurer. Personne ne partira en vacances avant que… pic.twitter.com/WBZvOqDyVs
— Gérald DARMANIN (@GDarmanin) June 7, 2026
A comoção gerada pelo caso e a controvérsia em torno da condução das denúncias de estupro de menores contra o principal suspeito geraram reações também no governo francês.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, anunciou neste domingo que solicitará ao Ministério Público a revisão de "todas as denúncias envolvendo crianças" (cerca de 70 mil casos) até 14 de julho, em decorrência do caso Lyhanna.
"Não entrarei de férias" e "nenhum magistrado sênior entrará de férias" até que eu me reúna "individualmente com os promotores" para avaliar a situação, advertiu Darmanin à emissora TF1, acrescentando que se reunirá com os promotores no Ministério da Justiça na manhã desta segunda-feira (8).
"Houve falhas graves" no caso, afirmou o ministro da Justiça. Ele garantiu que tornará público o relatório de inspeção que, "em quinze dias, identificará os responsáveis por essas falhas".
O suspeito do assassinato de Lyhanna havia sido alvo de várias denúncias por estupro de menores. Duas foram arquivadas. A denúncia central da controvérsia diz respeito a outra jovem, sobre a qual ele não foi interrogado após vários meses.
"Claramente", esta denúncia "não foi priorizada", avaliou Gérald Darmanin, afirmando que pediu aos procuradores que priorizassem os casos de violência contra mulheres e crianças.
RFI com AFP