Em Paris, as atenções se voltam, na noite desta quarta-feira (18), para um debate televisionado entre os dois principais candidatos: Emmanuel Grégoire, à frente de uma coalizão socialista-comunista-verde, e Rachida Dati (Republicanos-Movimento Democrático-Renascimento-Horizontes). A candidata do partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI), Sophia Chikirou, foi incluída de última hora, complicando ainda mais a disputa. Ela atacou o candidato socialista, acusando-o de ter tentado impedir sua participação. "Seu decreto contra a minha presença no debate foi revogado graças à pressão pública nas redes sociais", afirmou.
Rachida Dati entra na reta final em posição favorável, agora como a única representante da direita, após o apoio da lista Horizontes-Renascimento, de Pierre-Yves Bournazel. Ela também se fortalece com a desistência, "para expulsar a esquerda", de Sarah Knafo, representante do partido de extrema direita Reconquista, que obteve mais de 10% dos votos no primeiro turno.
"Valores"
A líder de extrema direita, Marine Le Pen, iniciou na quarta-feira um tour por cidades da região de Pas-de-Calais, que seu partido, a Reunião Nacional (RN), espera conquistar para compensar a derrota em Lens.
O RN deve manter sua presença em mais de 260 localidades, com esperanças de vitória também no Sul, reforçadas pela ausência de uma "frente republicana".
Na esquerda, as posições locais continuam a ser debatidas. Dentro do Partido Socialista, aqueles que defendem uma ruptura total com a França Insubmissa estão furiosos com os acordos feitos em Nantes, Toulouse e Limoges.
Imprensa analisa estratégias
A imprensa francesa analisa as estratégias da extrema direita para conquistar as eleições municipais no segundo turno, no domingo. A dois dias do encerramento oficial da campanha, o Libération publicou nesta quarta-feira uma análise dos programas dos candidatos do partido Reunião Nacional (RN), que avançaram em diversas cidades.
Segundo o jornal, os candidatos da extrema direita têm suavizado sua agenda identitária. A legenda agora prioriza temas como "segurança, limpeza e finanças", deixando de lado o discurso sobre imigração, que, de acordo com o jornal, "doze anos atrás era o tema central do partido, mas quase desapareceu dos projetos dos candidatos às eleições municipais" deste ano.
O Libération compara o cenário atual com 2014, quando os cinco principais pontos defendidos pela então Frente Nacional eram fiscalidade, segurança, injustiça, poder de compra e imigração. A análise aponta ainda uma ambição ecológica limitada, rejeição às políticas contra o automóvel, falta de metas de expansão da habitação social e forte apelo ao bem-estar animal.
Com AFP e RFI