Eleições municipais na França: Macron alerta para alianças com partidos 'extremos'

Diversas cidades francesas realizam, no próximo fim de semana, o segundo turno das eleições municipais. E, embora seu partido tenha tido uma presença bastante limitada na campanha, o presidente Emmanuel Macron fez um alerta, durante uma reunião de gabinete, contra "acordos entre partidos" com os "extremos" de ambos os lados, que "continuam sendo perigosos para a República", segundo a porta-voz do governo, Maud Bregeon.

18 mar 2026 - 13h30

Em Paris, as atenções se voltam, na noite desta quarta-feira (18), para um debate televisionado entre os dois principais candidatos: Emmanuel Grégoire, à frente de uma coalizão socialista-comunista-verde, e Rachida Dati (Republicanos-Movimento Democrático-Renascimento-Horizontes). A candidata do partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI), Sophia Chikirou, foi incluída de última hora, complicando ainda mais a disputa. Ela atacou o candidato socialista, acusando-o de ter tentado impedir sua participação. "Seu decreto contra a minha presença no debate foi revogado graças à pressão pública nas redes sociais", afirmou.

Votos em uma urna de Marselha em 15 de março de 2026. (Foto de ilustração)
Votos em uma urna de Marselha em 15 de março de 2026. (Foto de ilustração)
Foto: © Manon Cruz / REUTERS / RFI

Rachida Dati entra na reta final em posição favorável, agora como a única representante da direita, após o apoio da lista Horizontes-Renascimento, de Pierre-Yves Bournazel. Ela também se fortalece com a desistência, "para expulsar a esquerda", de Sarah Knafo, representante do partido de extrema direita Reconquista, que obteve mais de 10% dos votos no primeiro turno.

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"Valores"

A líder de extrema direita, Marine Le Pen, iniciou na quarta-feira um tour por cidades da região de Pas-de-Calais, que seu partido, a Reunião Nacional (RN), espera conquistar para compensar a derrota em Lens.

O RN deve manter sua presença em mais de 260 localidades, com esperanças de vitória também no Sul, reforçadas pela ausência de uma "frente republicana".

Na esquerda, as posições locais continuam a ser debatidas. Dentro do Partido Socialista, aqueles que defendem uma ruptura total com a França Insubmissa estão furiosos com os acordos feitos em Nantes, Toulouse e Limoges.

Imprensa analisa estratégias

A imprensa francesa analisa as estratégias da extrema direita para conquistar as eleições municipais no segundo turno, no domingo. A dois dias do encerramento oficial da campanha, o Libération publicou nesta quarta-feira uma análise dos programas dos candidatos do partido Reunião Nacional (RN), que avançaram em diversas cidades.

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Segundo o jornal, os candidatos da extrema direita têm suavizado sua agenda identitária. A legenda agora prioriza temas como "segurança, limpeza e finanças", deixando de lado o discurso sobre imigração, que, de acordo com o jornal, "doze anos atrás era o tema central do partido, mas quase desapareceu dos projetos dos candidatos às eleições municipais" deste ano.

O Libération compara o cenário atual com 2014, quando os cinco principais pontos defendidos pela então Frente Nacional eram fiscalidade, segurança, injustiça, poder de compra e imigração. A análise aponta ainda uma ambição ecológica limitada, rejeição às políticas contra o automóvel, falta de metas de expansão da habitação social e forte apelo ao bem-estar animal.

Com AFP e RFI

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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