Para 57% dos brasileiros, Trump erra ao pedir fim do julgamento de Bolsonaro ao anunciar tarifas, diz pesquisa

Levantamento do Datafolha revela detalhes sobre a opinião pública em torno da questão; confira

31 jul 2025 - 16h32
(atualizado às 17h40)
Foto de arquivo: Donald Trump aperta a mão do então presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, antes de participar de um jantar de trabalho no resort Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida, EUA, em 7 de março de 2020.
Foto de arquivo: Donald Trump aperta a mão do então presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, antes de participar de um jantar de trabalho no resort Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida, EUA, em 7 de março de 2020.
Foto: REUTERS/Tom Brenner/Foto de arquivo

Mais da metade dos brasileiros acredita que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, está errado ao pedir pelo fim do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – por tentativa de golpe de Estado – em carta que anunciou tarifaço de 50% sobre as exportações brasileiras. Os dados são de pesquisa do Datafolha, divulgada nesta quinta-feira, 31.

A pesquisa, que foi feita nos dia 29 e 30 de julho, entrevistou 2.004 de pessoas com mais de 16 anos em 130 municípios e tem margem de erro máxima de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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Um ponto de destaque nos resultados obtidos é que há grande diferença na resposta entre quem se considera eleitor de Lula e quem é apoiador de Bolsonaro:

  • Entre os eleitores do petista, 82% acreditam que Trump errou e 13% que ele está certo -- 5% disseram não saber.
  • Já entre os apoiadores do ex-presidente, 66% avaliam que o presidente norte-americano está correto, 28% que ele está errado e 6% não opinaram.

A pesquisa também questionou sobre a questão do ex-presidente Jair Bolsonaro estar sendo perseguido e injustiçado -- como tem reforçado o próprio Trump. Nesse ponto, os resultados foram próximos: 50% dizem que não, 45% que sim, e 5% não deram sua opinião.

A maior parte dos brasileiros que respondeu à pesquisa (39%) também acredita que as ações de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado licenciado e filho do ex-presidente que segue com articulações nos EUA, tiveram muito impacto na decisão de Trump em taxar o Brasil. Outros 28% avaliam pouca influência e 20% acreditam que o impacto foi nulo. 

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Mais sobre a taxação

Trump assinou nesta quarta-feira, 30, uma Ordem Executiva implementando uma tarifa adicional de 40% sobre o Brasil, elevando o valor total da tarifa para 50% -- mantendo a ameaça que fez no último dia 9, ao publicar uma carta nas redes sociais direcionada ao presidente Lula (PT) anunciando a taxação. Agora, a taxação se dá de forma mais concreta, com previsão para começar a ser aplicada em 6 de agosto.

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A princípio, Trump disse que a taxação teria início no dia 1º de agosto, a próxima sexta-feira, em defesa ao fim da "caça às bruxas" a Bolsonaro e devido ao que chamou de "ataques insidiosos do Brasil às eleições livres e aos direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos" -- em referência às ações do Surpemo Tribunal Federal (STF) alinhadas à regulamentação das big techs. As autoridades brasileiras não cederam e tem usado a situação para fortalecer a bandeira da soberania nacional. O Brasil segue em articulação com o governo do republicano para reverter a situação.

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Em reação ao decreto de Trump, Lula afirmou que "sem soberania, o Brasil não existiria". "Foi ela que nos trouxe liberdade e independência. E é ela que aparece em primeiro lugar em nossa Constituição, entre os demais princípios fundamentais", destacou o presidente, nas redes sociais. Em entrevista ao jornal The New York Times, Lula também declarou que segue tratando o caso com grande seriedade, "mas seriedade não exige subserviência".

Nessa mesma quarta-feira, os Estados Unidos anunciaram a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dispositivo vinha sendo o principal apelo de bolsonaristas a Trump. A ação estava sendo articulada desde maio, quando o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, chegou a afirmar haver uma “grande possibilidade” de a sanção ser aplicada a Moraes – o relator do processo contra a trama golpista e que bate de frente com as big techs, defendidas por Trump. 

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Como pano de fundo às movimentações dos EUA, há dois processos de destaque que correm no Brasil. O primeiro é o da trama golpista nas eleições passadas, onde Jair Bolsonaro está em julgamento como parte do "núcleo central". 

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O segundo é o inquérito que investiga Eduardo Bolsonaro por suas articulações com o governo Trump que estariam instigando sanções contra autoridades brasileiras. Jair Bolsonaro é visto como participante dessa mobilização e, por isso, foi alvo de uma ação da Polícia Federal no último dia 18, quando o anúncio de Trump pedindo pelo fim da "caça às bruxas" já havia sido feito. Por conta da ação, a pedido de Moraes, Bolsonaro passou a ficar sob medidas restritivas -- incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. 

A resposta dos EUA à ação veio no mesmo dia, durante a noite, com a revogação dos vistos norte-americanos de Alexandre de Moraes e de outros ministros do STF -- tendo sido o primeiro passo concreto antes da aplicação da Lei Magnitsky.

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Fonte: Redação Terra
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