"Foi reportado um ataque direto ao hospital Soroka, em Beersheba, no sul de Israel", postou o Ministério das Relações Exteriores de Israel no X (antigo Twitter). O estabelecimento foi atingido por um bombardeio durante uma série de lançamentos de mísseis disparados pelo Irã contra alvos israelenses. Autoridades israelenses informaram que o hospital sofreu um impacto direto. Um porta-voz do hospital Soroka relatou que houve "danos ao hospital". Além disso, a equipe está avaliando os estragos causados, inclusive para verificar o número de feridos. Por enquanto, o hospital pediu que o público não compareça à unidade para não atrapalhar os esforços de atendimento e avaliação. O serviço de resgate israelense informou que pelo menos 47 pessoas ficaram feridas. Dessas, 18 sofreram ferimentos ao correrem para os abrigos durante os ataques. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o Irã pagaria um "preço pesado" pela ação contra o hospital, mostrando que o governo israelense via a agressão a uma instituição médica como algo grave. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, seria "responsabilizado" pelo ataque. O incidente aconteceu no contexto de uma escalada de hostilidades entre Israel e Irã, em que as forças israelenses realizam ataques aéreos contra instalações iranianas, incluindo usinas nucleares, depósitos de armas e edifícios vinculados ao programa nuclear, e a República Islâmica vem lançando dezenas de mísseis contra alvos israelenses em resposta. O ataque ao hospital é um dos eventos que evidenciam o aumento dos danos colaterais e o impacto direto em áreas civis e infraestrutura sensível. Israel diz ter atingido instalações nucleares O exército israelense afirmou que atingiu um "reator nuclear inativo" em Arak, cerca de 240 quilômetros a oeste de Teerã, durante ataques noturnos que também tiveram como alvo o complexo nuclear de Natanz, localizado a cerca de 300 quilômetros ao sul de Teerã, onde fica o principal centro de enriquecimento de urânio do país. Um comunicado disse que "o reator nuclear na área de Arak, no Irã, foi atacado, incluindo a estrutura do selo do núcleo do reator, que é um componente chave na produção de plutônio", um combustível essencial em armas nucleares. No entanto, após o acordo nuclear de 2015, o reator foi modificado para evitar esse uso. Irã quase sem internet Uma atualização do órgão de monitoramento da internet Netblocks na quinta-feira mostrou que o Irã estava "offline há 12 horas". O Irã anunciou na semana passada que estava impondo restrições temporárias à internet, com o Ministério das Comunicações dizendo na quarta-feira que limites mais severos estavam sendo aplicados devido ao "uso indevido da rede de comunicação do país para fins militares" por Israel. A mídia iraniana depois relatou que Israel teria hackeado brevemente a transmissão da televisão estatal, exibindo imagens de protestos de mulheres e convocando a população para sair às ruas. Numerosos sites e aplicativos continuam ao menos parcialmente inacessíveis no Irã. Trump sobre os ataques e negociações O presidente Donald Trump disse na quarta-feira que estava considerando participar dos ataques de Israel, e que o Irã teria entrado em contato buscando negociações para encerrar o conflito. "Posso fazer, posso não fazer", disse Trump a repórteres. "Posso dizer que o Irã está com muitos problemas e quer negociar." Trump afirmou que Teerã teria até sugerido enviar representantes à Casa Branca para negociações, o que foi negado por autoridades iranianas. Questionado se seria tarde demais para negociações, Trump respondeu: "Nada é tarde demais." O Wall Street Journal relatou que Trump teria aprovado planos de ataque, mas está aguardando para ver se o Irã desistirá de seu programa nuclear. Ele deve receber um informe de inteligência nesta quinta-feira, feriado nos Estados Unidos, disse a Casa Branca, enquanto o secretário de Estado americano, Marco Rubio, se encontrará com o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido para conversas que devem focar no conflito. Khamenei alerta os EUA O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, disse em discurso na televisão estatal que o país "nunca se renderá". "A América deve saber que qualquer intervenção militar resultará, sem dúvida, em danos irreparáveis", afirmou. Trump afirmou na terça-feira que os EUA sabiam onde Khamenei estava localizado, mas não iriam matá-lo "por enquanto". Repatriamento de estrangeiros Governos estrangeiros têm se apressado para retirar seus cidadãos de ambos os países, com o embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, anunciando planos na quarta-feira para retirar americanos por via aérea e marítima. Os ataques de Israel atingiram não apenas instalações nucleares e militares no Irã, mas também áreas residenciais civis. Em resposta, os mísseis lançados pelo Irã também têm alcançado zonas urbanas em Israel, afetando diretamente a população civil. Ambos os países, em seus ataques e contra-ataques, têm causado danos significativos a regiões habitadas, ampliando o impacto do conflito sobre a infraestrutura civil e a segurança da população. Netanyahu reconheceu "perdas dolorosas", mas acrescentou: "A retaguarda está sólida, o povo é forte." O gabinete do primeiro-ministro informou na segunda-feira que pelo menos 24 pessoas foram mortas em Israel e centenas ficaram feridas desde o início dos ataques retaliatórios do Irã na sexta-feira. O Irã declarou no domingo que os ataques israelenses mataram pelo menos 224 pessoas, incluindo comandantes militares, cientistas nucleares e civis. Ambos os países não atualizaram seus números oficiais desde então. (Com agências internacionais)
Escalada no Oriente Médio: ataque iraniano atinge hospital no sul de Israel e causa dezenas de feridos
Israel e Irã mantêm o confronto com mísseis pelo sétimo dia consecutivo nesta quinta-feira (19). Um hospital foi atingido no sul de Israel, ferindo pelo menos 47 pessoas. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que Teerã vai pagar "um preço pesado" pelo ataque.
19 jun
2025
- 06h41
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