Diagnóstico precoce do câncer de mama eleva sobrevida em 10 anos a mais de 90%

Estudo italiano mostra avanços no tratamento de formas mais agressivas

4 set 2026 - 12h47
(atualizado às 13h08)
Resumo
Segundo estudo italiano publicado na The Oncologist com mais de 10 mil mulheres, o diagnóstico de câncer de mama no estágio I eleva a sobrevida em dez anos para mais de 90% em todos os subtipos. A pesquisa, que acompanhou casos entre 2004 e 2023, também identificou progressos em tumores agressivos e avançados devido ao avanço de terapias-alvo, como no subtipo HER2 positivo. O cenário reforça a urgência do diagnóstico precoce e da ampliação contínua ao acesso a tratamentos inovadores.

O diagnóstico precoce continua sendo um dos principais fatores associados à sobrevivência de mulheres com câncer de mama, segundo um estudo apoiado pelo Ministério da Saúde da Itália.

Estudo foi feito com mais de 10,4 mil mulheres diagnosticadas com carcinoma invasivo de mama
Estudo foi feito com mais de 10,4 mil mulheres diagnosticadas com carcinoma invasivo de mama
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

De acordo com a pesquisa, quando o carcinoma invasivo é identificado no estágio I, a sobrevida líquida em 10 anos supera 90% em todos os subtipos moleculares e chega a 98,8% entre os tumores com receptores hormonais positivos e HER2 negativo.

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Os dados são do estudo coordenado pelo Registro de Câncer de Friuli Venezia Giulia (FVG), administrado pelo Instituto Nacional do Câncer de Aviano (CRO), e publicado recentemente na revista internacional The Oncologist.

Os pesquisadores analisaram informações de mais de 10,4 mil mulheres diagnosticadas com carcinoma invasivo de mama na região de Friuli Venezia Giulia entre 2004 e 2014. As pacientes foram acompanhadas até o fim de 2023, permitindo avaliar a evolução da sobrevida em longo prazo.

Segundo o CRO, trata-se do primeiro estudo italiano de base populacional a estimar a sobrevida em 10 anos levando simultaneamente em consideração três fatores: o estágio do câncer no diagnóstico, o perfil molecular e o grau histológico do tumor.

A comparação entre mulheres diagnosticadas nos períodos de 2004-2009 e 2010-2014 mostrou que as taxas de sobrevida permaneceram muito elevadas para os tumores descobertos no estágio I. Ao mesmo tempo, foram observados avanços importantes em alguns tipos de câncer considerados mais agressivos e em casos localmente avançados.

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Entre as pacientes com câncer de mama em estágio III, com receptores hormonais negativos e HER2 positivo, a sobrevida líquida em 10 anos aumentou de 48,6% para 87,9% entre os dois períodos analisados.

Nos casos de câncer de mama triplo-negativo em estágio III, considerado um dos subtipos de tratamento mais desafiador, a taxa passou de 28,8% para 42,3%.

Os resultados indicam que os avanços terapêuticos das últimas décadas contribuíram para melhorar o prognóstico de determinados grupos de pacientes.

De acordo com os pesquisadores, a evolução observada nos tumores HER2 positivos é compatível com a introdução e a adoção progressiva de terapias-alvo, medicamentos desenvolvidos para atuar especificamente sobre características moleculares do tumor.

Para Luigino Dal Maso, diretor de Epidemiologia do Câncer do CRO de Aviano e do Registro de Câncer de Friuli Venezia Giulia, "esses resultados demonstram por que um registro de câncer de alta qualidade constitui uma infraestrutura vital para a saúde pública e a pesquisa".

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O estudo permite observar os resultados obtidos na prática clínica ao longo dos anos e complementa as evidências produzidas por pesquisas sobre novos tratamentos. Apesar dos avanços, os autores ressaltam que alguns subgrupos continuam apresentando prognóstico desfavorável.

Para esses casos, os resultados reforçam a necessidade de manter os investimentos em pesquisa, ampliar o acesso a tratamentos inovadores e garantir que as pacientes possam receber o diagnóstico e o tratamento de forma oportuna. 

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