A República Democrática do Congo iniciou a vacinação de profissionais de saúde para conter o maior surto de Ebola do país e o segundo mais mortal do mundo, com 2.786 mortes. Diante da falta de imunizantes aprovados para a espécie Bundibugyo, causadora da epidemia, as autoridades aplicam doses da vacina Ervebo, desenvolvida para a cepa Zaire, em um ensaio clínico que avaliará sua eficácia em humanos nas províncias mais afetadas.
A República Democrática do Congo iniciou na quinta-feira a vacinação de profissionais de saúde da linha de frente com uma vacina aprovada para uma espécie diferente do Ebola, enquanto as autoridades buscam conter o maior e mais letal surto de Ebola já registrado no país.
O ministro da Saúde, Samuel-Roger Kamba, afirmou que o Congo recebeu mais de 50.000 doses da vacina Ervebo e que iniciaria a vacinação nas províncias afetadas pelo surto, priorizando os profissionais de saúde.
A Ervebo é licenciada contra a espécie Zaire do Ebola e foi utilizada com sucesso em surtos anteriores. A epidemia atual é causada pela espécie Bundibugyo, para a qual não há vacina ou tratamento aprovado.
Estudos iniciais em animais sugerem que a Ervebo poderia oferecer alguma proteção contra a espécie Bundibugyo, e as autoridades estão utilizando 20 mil das 70 mil doses alocadas ao Congo em um ensaio clínico para avaliar sua eficácia em seres humanos.
Várias vacinas voltadas especificamente para a espécie Bundibugyo também estão em desenvolvimento, incluindo candidatas da Universidade de Oxford e da Iniciativa Internacional para a Vacina contra a Aids (Iavi).
A vacinação começou na cidade de Kisangani, no nordeste do país, capital da província de Tshopo, uma das seis províncias afetadas pelo surto.
Kamba afirmou que a campanha abrangerá inicialmente as províncias vizinhas a Ituri, onde o surto foi detectado pela primeira vez e continua sendo o mais concentrado, antes de avançar progressivamente para o interior do país.
O surto, declarado em 15 de maio, infectou 5.794 pessoas e causou 2.786 mortes, de acordo com os números mais recentes do governo, tornando-se a segunda epidemia de Ebola mais mortal já registrada no mundo.