O indicado pelo presidente Donald Trump para o cargo de procurador-geral, Todd Blanche, enfrentou uma nova onda de incertezas quanto à sua confirmação pelo Senado dos Estados Unidos nesta quarta-feira, após a senadora republicana Susan Collins afirmar, na terça-feira, que votaria contra sua nomeação, deixando o ex-advogado pessoal de Trump com pouca margem para erros.
Com o senador republicano Mitch McConnell afastado por tempo indeterminado, Blanche só pode se dar ao luxo de mais uma deserção republicana. Os senadores Bill Cassidy e Lisa Murkowski, que já haviam expressado reservas sobre sua indicação, recusaram-se a comentar sobre seu voto nesta quarta-feira. Um pequeno número de outros senadores também manifestou preocupação com a indicação de Blanche.
Blanche, que atualmente atua como procurador-geral interino, convenceu os republicanos relutantes John Cornyn e Thom Tillis a apoiá-lo, comprometendo-se por escrito a encerrar o fundo "anti-instrumentalização" de US$1,8 bilhão de Trump destinado a combater o uso político de agências governamentais e a garantir que um acordo de imunidade fiscal relacionado se aplique apenas a declarações de impostos anteriores. Os dois pontos decorrem de um acordo judicial referente ao processo de US$10 bilhões movido por Trump contra a Receita Federal dos EUA (IRS, na sigla em inglês).
Permanecem dúvidas sobre se o fundo poderia ser reativado posteriormente e por que o presidente merece um acordo de seu próprio governo que poderia, pessoalmente, economizar-lhe milhões de dólares.
O líder republicano no Senado, John Thune, tem a intenção de confirmar Blanche antes que o Senado deixe Washington para um recesso de um mês, com início previsto para esta semana. A votação pode ocorrer em questão de dias.
"Estamos conversando com algumas pessoas, o pequeno número de indivíduos que ainda estão indecisos sobre o assunto, e tenho esperança de que chegaremos lá", disse Thune a jornalistas nesta quarta-feira. "Mas, repito, é um trabalho em andamento, e ainda não chegamos lá."
Um porta-voz do Departamento de Justiça não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.