A China impôs novas restrições de viagem que proíbem a saída do país, por até três anos, de cidadãos vistos como ameaça à segurança industrial e tecnológica ou que violem normas de importação e exportação do setor. A medida visa proteger a soberania nacional em meio à disputa tecnológica com os EUA, marcada por acusações mútuas de espionagem em inteligência artificial. Contudo, analistas alertam para a ampla margem de discricionariedade do governo devido à definição vaga dessas infrações.
A China anunciou a implementação de amplas restrições de viagem aos seus cidadãos, incluindo a proibição de deslocamento para pessoas consideradas pelas autoridades locais como uma ameaça à "segurança industrial ou tecnológica" do país.
O governo comunicou que os cidadãos que violarem as normas sobre importação e exportação de tecnologia, além de praticarem atividades ilegais no exterior, poderão ser proibidos de deixar o gigante asiático "por um período de seis meses a três anos".
As novas regras, que entraram em vigor hoje, foram formuladas para "proteger a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento". No entanto, analistas alertam que essas normas conferem ao governo chinês uma "ampla margem de discricionariedade".
Em entrevista à agência de notícias AFP, o especialista Chong Ja Ian, da Universidade Nacional de Singapura, afirmou que questões de segurança e atividades criminosas "podem ser definidas de forma vaga e facilmente alteradas".
China e Estados Unidos estão envolvidos em uma intensa corrida tecnológica e, nos últimos meses, acusaram-se mutuamente de roubo de capacidades relacionadas a modelos de inteligência artificial desenvolvidos localmente. .