OpenAI, Anthropic e Google articulam a criação de um órgão de autorregulação para testar e tornar a inteligência artificial mais segura antes de seu lançamento ao público, ideia inspirada no modelo da FINRA. A proposta gera divergências: a rival Cohere acusa as gigantes de formarem um cartel, enquanto ex-pesquisadores alertam para riscos existenciais. Em meio a apelos por desaceleração no setor, vozes como o CEO da Nvidia e o ex-presidente Donald Trump rejeitam as previsões catastróficas.
A OpenAI afirmou que está trabalhando com a Anthropic e o Google em uma proposta que surgiu a partir de uma ideia de Demis Hassabis, do Google DeepMind, para criar uma entidade de autorregulação inspirada na Financial Industry Regulatory Authority (FINRA), que supervisiona corretoras e empresas de investimento nos Estados Unidos.
Em julho, Hassabis defendeu que os Estados Unidos criassem uma organização para testar os sistemas de IA mais poderosos antes que fossem disponibilizados ao público.
"O financiamento precisaria ser substancial e provavelmente viria principalmente da indústria, para atrair talentos técnicos de nível mundial e fornecer os recursos computacionais necessários para testes em larga escala", escreveu Hassabis.
Ainda não há consenso, porém, sobre como avançar.
"Cartel"
O chefe da empresa canadense Cohere acusou recentemente os principais laboratórios americanos de IA de formar um "cartel" sob o pretexto de segurança. "A IA precisa de salvaguardas. Essa não é a questão em disputa e nunca foi. A disputa é sobre quem as escreve, quem pode participar e quais interesses as regras estão protegendo", escreveu no domingo (13), em uma publicação em seu blog, o cofundador e CEO da Cohere, Aiden Gomez.
As preocupações com a segurança da IA aumentaram nas últimas semanas, incluindo alertas de dois funcionários que deixaram grandes desenvolvedores de IA devido a preocupações com os riscos da indústria.
Na semana passada, Jacob Coxon deixou a Anthropic e alertou que as empresas de IA estavam "apostando com nossas vidas". Ele também havia trabalhado anteriormente na OpenAI.
Na segunda-feira, o ex-pesquisador do Google DeepMind Bilal Chughtai ecoou as preocupações expressas por Coxon e outros.
"Acredito sinceramente que a IA tem o potencial de matar todos nós e que podemos estar ficando sem tempo para evitar esse desfecho", escreveu Chughtai nas redes sociais.
Desaceleração
No sábado, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento da IA, posição apoiada pelos CEOs da OpenAI, Sam Altman, e da Nvidia, Jensen Huang, além de Hassabis e Elon Musk.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no entanto, classificou os alertas sobre os riscos da IA como "farsas".
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, também rejeitou os alertas.
"A combinação dessas declarações e, depois, a previsão [de uma catástrofe] é alarmante e preocupante e não deveria ser feita. É irresponsável", afirmou Huang na segunda-feira, durante uma conferência em Los Angeles, onde o presidente norte-americano Donald Trump telefonou para ele enquanto estava no palco.
A perspectiva de que a IA possa destruir a humanidade "não tem fundamento científico", afirmou Huang.