O governo argentino de Javier Milei intensificou sua disputa de soberania ao anunciar novas ações judiciais e sanções mais duras contra petroleiras que operam nas Ilhas Malvinas, visando empresas como a Navitas e a Rockhopper. Enquanto as companhias afirmam possuir licenças locais válidas, o Reino Unido garantiu apoio às atividades econômicas no território britânico ultramarino, rejeitando qualquer jurisdição da Argentina sobre a região e elevando o risco de tensões diplomáticas entre os países.
A Argentina apresentará novas ações judiciais contra empresas que realizam exploração de petróleo nas proximidades das Ilhas Malvinas, informou o governo nesta terça-feira, intensificando a campanha de Buenos Aires contra as empresas que operam no território ultramarino britânico.
A medida faz parte de uma iniciativa mais ampla do governo do presidente Javier Milei, que também está preparando, nesta semana, uma legislação para endurecer as sanções contra empresas que operam nas Ilhas Malvinas -- chamadas de Falkland Islands pelos britânicos. Analistas afirmam que isso aumenta a possibilidade de tensões mais amplas com o Reino Unido caso Buenos Aires passe a visar outros setores da economia das ilhas.
O jornal argentino Clarín informou que um promotor federal apresentou um pedido para abrir uma investigação contra executivos e acionistas da empresa israelense Navitas Petroleum e da britânica Rockhopper Exploration .
O porta-voz do governo, Adrian Ravier, afirmou em uma coletiva de imprensa que novas denúncias seriam apresentadas contra empresas que operam nas Malvinas, embora não tenha citado nomes.
O governo de Milei já havia apontado a Navitas e a Rockhopper como alvos, à medida que Buenos Aires busca sua reivindicação de soberania sobre o arquipélago.
A Navitas não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. A Rockhopper se recusou a comentar. Ambas as empresas já haviam afirmado que o projeto do campo de petróleo possui licenças válidas do governo das Ilhas Malvinas e indicaram que não esperam que as ações de Milei atrapalhem o desenvolvimento.
O gabinete do promotor federal Carlos Stornelli não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O Reino Unido procurou tranquilizar nesta terça-feira as empresas que atuam nas Ilhas Malvinas, afirmando, em orientações publicadas no site do governo, que apoiava todas as atividades econômicas legítimas nas ilhas e defendia o direito dos habitantes das Ilhas Malvinas de regular sua economia e desenvolver seus recursos naturais, incluindo hidrocarbonetos.
"A posição do governo do Reino Unido é que a Argentina não tem o direito de exercer jurisdição sobre as Ilhas Malvinas nem de aplicar sua legislação interna nas ilhas, nem em relação a quaisquer empresas ou indivíduos que participem de atividades comerciais nas ilhas ou que estejam ligados a elas", afirmou o Reino Unido em suas orientações.
Acrescentou ainda que não via base jurídica para que tribunais fora da Argentina fizessem valer medidas tomadas contra tais empresas.
A Argentina invadiu as ilhas em 1982 e travou uma guerra de 10 semanas por elas antes de se render ao Reino Unido.