Egito e Arábia Saudita discutem segurança do Mar Vermelho em meio à ofensiva houthi

Os líderes da Arábia Saudita e do Egito pediram nesta terça-feira (15), no Cairo, que sejam garantidas a liberdade e a segurança da navegação no Mar Vermelho, após Riad prometer responder com "firmeza" aos ataques dos houthis pró-Irã do Iêmen, cujas ofensivas para consolidar o controle sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb continuam.

15 set 2026 - 15h09
Resumo
Líderes da Arábia Saudita e do Egito reuniram-se para debater a segurança nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, cruciais para o fluxo global de petróleo e para o Canal de Suez. O encontro ocorre após rebeldes houthis dominarem o litoral iemenita e atacarem o território saudita, elevando o barril de petróleo a mais de US$ 100. Pressionada por riscos logísticos, Riad busca apoio egípcio e diálogo com os EUA, enquanto a ONU convoca reunião de emergência diante do agravamento da crise regional.

O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, governante de fato da Arábia Saudita - maior exportadora mundial de petróleo bruto - e o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, "destacaram a importância de garantir a liberdade e a segurança da navegação marítima" nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, segundo o Cairo.

Os houthis chegaram à estratégica ilha Perim, no Iêmen, a fim de aumentar controle de uma rota de navegação vital na região, ilustrada por uma foto de satélite de 11 de setembro de 2026.
Os houthis chegaram à estratégica ilha Perim, no Iêmen, a fim de aumentar controle de uma rota de navegação vital na região, ilustrada por uma foto de satélite de 11 de setembro de 2026.
Foto: © Airbus DS 2026 / RFI

Essa passagem, que liga a Europa à Ásia pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez e era muito utilizada antes da guerra no Oriente Médio, tornou-se ainda mais estratégica para as exportações de petróleo sauditas desde que o Irã bloqueou o estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica.

Publicidade

O Iêmen, país vizinho da Arábia Saudita, foi arrastado em julho para o conflito regional desencadeado pela ofensiva americano-israelense contra o Irã no fim de fevereiro. No início de setembro, os houthis lançaram uma grande ofensiva e tomaram todo o litoral iemenita voltado para o Mar Vermelho, incluindo o estreito de Bab el-Mandeb.

Seu fechamento seria "catastrófico", admitiu nesta terça-feira o Ministério das Relações Exteriores do Catar.

"O mundo já sofre suficientemente com o fechamento do estreito de Ormuz", por onde transitava, antes da guerra, um quinto dos hidrocarbonetos mundiais, "portanto, não podemos nos permitir acrescentar Bab el-Mandeb a essa equação", declarou um funcionário do ministério, Ibrahim al-Hashmi.

Os houthis, por sua vez, repetem que não existe nenhuma ameaça à navegação no estreito de Bab el-Mandeb, exceto para navios sauditas.

Publicidade

Uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas em Nova York também está prevista para as 15h (21h em Paris, 19h GMT) para discutir o futuro desse corredor marítimo, informou a AFP com base em fontes diplomáticas. A Arábia Saudita e o Iêmen deverão participar, segundo uma dessas fontes.

"Garantias"

A Defesa Civil saudita emitiu na manhã desta terça-feira vários alertas sobre risco de ataques, incluindo um para a cidade sagrada de Meca, pela primeira vez desde o início do conflito regional desencadeado no fim de fevereiro pelo ataque israelense-americano contra o Irã. Os alertas, que também abrangiam os arredores de Jidá, importante cidade portuária no oeste do reino, e de Taif, foram rapidamente suspensos.

Na véspera, os houthis haviam atacado o sul da Arábia Saudita, ferindo 13 civis, segundo Riad, que respondeu com cerca de 50 ataques aéreos, de acordo com os houthis, e prometeu agir com "responsabilidade e firmeza" diante dessas ofensivas.

O movimento também atacou instalações petrolíferas da Arábia Saudita, fazendo os preços do petróleo ultrapassarem a marca simbólica de US$ 100.

A Arábia Saudita encontra-se espremida entre os ataques dos houthis e seus petroleiros, agora ameaçados nos dois estreitos. Seu oleoduto Leste-Oeste, uma via crucial para exportar petróleo contornando o bloqueio de Ormuz, também está paralisado após ataques de drones provenientes do Iraque, segundo as autoridades sauditas.

Publicidade

O reino vem multiplicando os contatos diplomáticos para encontrar uma saída para a crise.

Antes de viajar para o Cairo, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman já havia conversado na segunda-feira (14) com o comandante do Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom), Brad Cooper.

O líder saudita "busca garantias de que o Egito intervirá, se necessário, para proteger Bab el-Mandeb", avalia Mirette Mabrouk, do Middle East Institute, sediado em Washington.

"Sinais contraditórios"

Além das perturbações nas exportações de petróleo saudita pelo Mar Vermelho com destino ao Egito, a redução do tráfego marítimo na região poderá ter consequências negativas para as receitas em moeda estrangeira obtidas pelo Cairo com as tarifas de passagem do Canal de Suez.

O ministro egípcio das Relações Exteriores afirmou na semana passada que seu país acumulou US$ 11 bilhões em perdas de receitas no canal devido à situação regional.

Publicidade

Nos mercados, nesta terça-feira, os investidores demonstram cautela e os preços do petróleo continuam subindo: a cotação do barril de Brent avançou 2,44% na manhã de terça-feira, chegando a US$ 108,26.

Enquanto as negociações para encontrar uma saída para o conflito regional como um todo estão paralisadas há semanas, Teerã rejeitou nesta terça-feira qualquer diálogo com Washington, em resposta a Donald Trump, que havia declarado na véspera estar "aberto" a negociações.

"Não se deixem distrair pelos sinais contraditórios do presidente americano, que alterna entre 'sem negociações' e 'estamos prontos para conversar'", escreveu na rede social X o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaï.

Pelo menos 100 mil pessoas foram deslocadas no Iêmen desde a retomada dos combates, no início de setembro, entre os rebeldes houthis pró-Irã e as forças pró-governo, informou nesta terça-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Publicidade

com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se