Catástrofe de direitos humanos se desenrola em al-Obeid, no Sudão, diz ONU

3 jul 2026 - 10h55

Outra catástrofe em ‌matéria de direitos humanos está se desenrolando no Sudão, em torno da cidade sitiada de al-Obeid, afirmou na sexta-feira o chefe de direitos humanos das Nações Unidas, alertando sobre um padrão de atrocidades e instando a comunidade internacional a agir.

Al-Obeid é a capital do Estado do Kordofan do ⁠Norte, o foco dos recentes combates na guerra entre o Exército sudanês e ‌as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar, que teve início há mais de três anos e causou uma vasta crise humanitária.

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O alto comissário ‌das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker ‌Turk, disse que os civis vêm sendo submetidos a condições ⁠semelhantes a um cerco há 18 meses, com grave escassez de água potável em al-Obeid e ataques implacáveis com drones.

Durante um debate no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, Turk afirmou aos delegados que seu escritório havia documentado padrões de execuções sumárias, sequestros, tortura e ‌violência sexual ao longo das rotas percorridas por pessoas deslocadas na região de ‌Kordofan.

Ele instou a comunidade ⁠internacional a não ⁠permitir que se repitam as atrocidades generalizadas ocorridas em al-Fashir, no Darfur do Norte, ⁠no ano passado.

"Os sinais vindos ‌de al-Obeid são claros e ‌inequívocos: outra catástrofe de direitos humanos está se desenrolando no Sudão, desta vez na capital do Estado estratégico de Kordofan do Norte", afirmou Turk.

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A sessão foi convocada pelo Reino Unido, cujo enviado havia ⁠alertado anteriormente que até 500 mil civis corriam o risco de sofrer atrocidades em grande escala, já que a RSF teria concentrado forças ao redor de al-Obeid, uma das maiores cidades do Sudão e local onde pessoas deslocadas de outras ‌áreas de conflito buscaram abrigo.

O mundo não pode permitir que al-Obeid se torne "a próxima tragédia sem sentido", afirmou a ministra das Relações Exteriores ⁠do Reino Unido, Yvette Cooper, em comunicado divulgado paralelamente à sessão do Conselho. "A comunidade internacional precisa estar à altura do momento", disse ela.

A RSF afirma que suas operações nos arredores de al-Obeid são de natureza militar. A força já havia declarado anteriormente que não tem como alvo intencional civis e que os responsáveis por abusos serão responsabilizados.

Assim como em outros conflitos, a guerra no Sudão tem sido cada vez mais marcada por ataques com drones, que frequentemente causam vítimas civis.

Pelo menos 45 civis foram mortos e 41 ficaram feridos em 15 ataques com drones em al-Obeid e áreas vizinhas entre 6 e 28 de junho, segundo o escritório de direitos humanos da ONU.

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