Caminhoneiros bloquearam o acesso ao porto de Nápoles e rodovias no sul da Itália em protesto contra a alta dos combustíveis, após o diesel subir quase 40% em um ano. A ação provocou congestionamentos e risco de desabastecimento de alimentos, além de ameaça de greve nacional. Diante do impacto no setor produtivo, o governo de Giorgia Meloni antecipou reuniões com a categoria e planeja elevar o déficit fiscal para financiar medidas contra a inflação, cuja disparada é atribuída à guerra no Irã.
Caminhoneiros bloquearam nesta segunda-feira (19) um dos acessos ao porto comercial de Nápoles, na Itália, em meio à onda de protestos que tomou conta do sul do país por conta da disparada dos preços dos combustíveis.
A manifestação provocou congestionamento na autoestrada A1, principal espinha dorsal rodoviária do país e que conecta a capital da Campânia a Milão, e afetou o tráfego de mercadorias no terminal portuário.
Os caminhoneiros impedem que veículos de carga entrem no porto, mas permitem a passagem de carros. Desde a semana passada, diversas cidades do sul da Itália ? porção do país historicamente mais carente em infraestrutura e investimentos ? têm sido palcos de protestos da categoria, com bloqueio de estradas ou interdição de faixas para cobrar medidas do governo contra a inflação dos combustíveis.
As manifestações têm gerado escassez de produtos frescos em feiras e supermercados de municípios da Itália meridional, como Catânia, Catanzaro, Scalea, Cerignola, Mercogliano e Sora, enquanto a confederação de caminhoneiros Conftrasporto ameaça convocar uma greve nacional que pode paralisar o país.
Enquanto isso, a federação de agricultores Confagricoltura manifestou apoio ao movimento dos caminhoneiros, mas disse que os bloqueios podem provocar "consequências pesadas" para produtores. "Após um período já difícil na frente climática, hoje milhares de produtos arriscam permanecer bloqueados nas empresas e estragar, enquanto as prateleiras de supermercados podem ficar vazias", alertou o presidente da entidade na Campânia, Fabrizio Marzano.
Prateleiras semivazias em supermercado na Calábria, sul da ItáliaO Ministério da Infraestrutura e dos Transportes, chefiado por Matteo Salvini, convocou inicialmente uma reunião com representantes da categoria para 27 de outubro, mas decidiu antecipar o encontro para esta terça (20) devido à ampliação dos protestos.
O preço médio do diesel na Itália encerrou setembro com um valor médio de 2,248 euro (R$ 12,75) por litro, alta de 7% em relação a agosto, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e da Segurança Energética. Em um ano, o aumento é de quase 40%.
O governo da premiê Giorgia Meloni culpa a guerra no Irã pela disparada dos combustíveis e planeja elevar o déficit fiscal na próxima Lei Orçamentária para financiar medidas de combate à inflação, faltando cerca de um ano para as próximas eleições legislativas.