Autoridades de Minnesota abrem investigação própria sobre tiros do ICE

9 jan 2026 - 17h39

As autoridades de Minnesota disseram nesta sexta-feira que estão abrindo sua própria investigação sobre a morte de uma mulher de 37 anos em seu carro por um oficial de imigração dos Estados Unidos, após autoridades locais criticarem o governo federal por se ‌recusar a cooperar.

Mary Moriarty, principal promotora do condado de Hennepin, em Minneapolis, e o procurador-geral democrata do Estado, Keith Ellison, disseram a jornalistas ‌que devem coletar provas do incidente de quarta-feira, incluindo vídeos e depoimentos de testemunhas.

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O anúncio foi feito um dia depois de a principal agência de investigação do Estado, o Departamento de Investigação Criminal (BCA, na sigla em inglês), dizer que o FBI havia mudado sua postura de cooperação inicial e bloqueado o acesso do BCA às evidências do local, entrevistas com testemunhas e outros materiais.

Moriarty, uma democrata, disse que ‍estava preocupada com o fato de que, sem o envolvimento do BCA, seu escritório poderia não receber provas suficientes para avaliar se as acusações estaduais contra o policial poderiam ser justificadas.

A decisão pode criar investigações separadas e paralelas sobre o incidente. O FBI, por exemplo, tomou posse do carro da mulher para análise forense, disse Moriarty.

Autoridades dos EUA, incluindo o ‌vice-presidente JD Vance, rejeitaram a ideia de que um oficial federal poderia enfrentar acusações criminais estaduais, ‌embora haja algum precedente para casos como este. Moriarty, no entanto, foi inequívoca nesta sexta-feira.

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"Sem dúvida, há questões jurídicas complexas envolvidas quando um agente federal da lei está envolvido. Mas a lei é clara: nós temos jurisdição para tomar essa decisão", disse ela.

O anúncio da investigação chama a atenção para até que ponto a repressão à imigração do presidente republicano Donald Trump em cidades administradas, em sua maioria, por democratas -- apesar da oposição de prefeitos -- desgastou seriamente a confiança entre autoridades locais e federais.

No início do dia, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, acusou o governo Trump de tentar predeterminar o resultado da investigação ao excluir as autoridades estaduais.

"Este é o momento de seguir a lei", disse Frey, um democrata. "Não é hora de se esconder dos fatos."

As autoridades do governo Trump consideram que os tiros ocorreram em um contexto de legítima defesa e acusaram a mulher, Renee Good, cidadã norte-americana e mãe de três filhos, de dirigir deliberadamente seu carro para o policial em um ato de "terrorismo doméstico" -- narrativa descrita por Frey como "lixo".

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Em Portland, Oregon, na tarde de quinta-feira, um agente da Patrulha de Fronteira dos EUA atirou e feriu um homem e uma mulher em seu carro após uma tentativa de parar o veículo. Como em Minnesota, o Departamento de Segurança Interna disse em um comunicado que o motorista utilizou o carro em um esforço para atropelar o agente, que atirou em legítima defesa.

O prefeito de Portland, ‌Keith Wilson, assim como Frey, disse que não poderia ter certeza de que o relato do governo era baseado em fatos até que uma investigação independente seja realizada.

"Houve um tempo em que podíamos acreditar na palavra deles", disse Wilson, um democrata, sobre as autoridades federais. "Esse tempo já passou há muito tempo."

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