Ataques israelenses deixaram mais de 3 mil mortos no Líbano desde 2 de março, aponta novo balanço

Um novo balanço das autoridades libanesas, divulgado nesta segunda-feira (18), aponta que a ofensiva israelense matou 3.020 pessoas no Líbano, desde o início do conflito entre Israel e o Hezbollah pró‑iraniano, em 2 de março. As hostilidades entre as duas partes continuam, apesar da extensão do cessar-fogo por mais 45 dias.

18 mai 2026 - 16h21

Em um comunicado, o Ministério da Saúde do Líbano afirma que entre os óbitos, há 211 crianças ou menores e 116 profissionais de saúde. O número de feridos também é alto: 9.273, saturando hospitais e centros de saúde já fragilizados pela crise econômica da qual o país é palco. 

Bombardeio israelense contra a cidade de Nabatieh, no sul do Líbano, em 17 de março de 2026.
Bombardeio israelense contra a cidade de Nabatieh, no sul do Líbano, em 17 de março de 2026.
Foto: © Stringer / REUTERS / RFI

O presidente libanês, Joseph Aoun, prometeu nesta segunda‑feira fazer "o impossível" para pôr fim à guerra com Israel. "É meu dever e minha responsabilidade", declarou, por meio de uma nota oficial

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Segundo Aoun, a nova rodada de negociações realizada entre representantes do Líbano e de Israel em Washington, na semana passada, tinha a retirada das forças israelenses do sul do Líbano e o retorno dos deslocados entre os principais objetivos. No entanto, as hostilidades continuam.

Nesta manhã, o exército israelense voltou a bombardear diversas localidades nas regiões de Nabatiyeh e Tiro, no sul do Líbano, apesar de estarem fora da zona tampão imposta por Tel Aviv.

No domingo (17), bombardeios das forças de Israel mataram sete pessoas da cidade de Baalbek, no leste do país, entre elas, o comandante Wael Abdel Halim, da Jihad Islâmica, aliada do grupo Hezbollah, e sua filha de 17 anos.

Hezbollah retalia violação de cessar-fogo 

O Hezbollah rejeita negociações diretas entre o Líbano e seu inimigo declarado, além de recusar o desarmamento de seus membros. O grupo armado reivindicou nesta segunda‑feira dois ataques contra alvos militares em Israel e prometeu vingança.

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"Em resposta à violação do cessar‑fogo" por parte de Israel, o grupo diz ter mirado em "uma plataforma do Domo de Ferro", o sistema de defesa aérea israelense, "por meio de um drone de ataque". O comunicado acrescenta ainda que o Hezbollah atingiu um veículo militar no norte de Israel e bombardeou forças israelenses no sul do Líbano.

Nas últimas semanas, o grupo armado utilizou repetidamente drones FPV com fibra óptica, de baixo custo. No domingo, o primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou de "desafio" a interceptação deste tipo de projétil, que transmite em tempo real a situação no terreno graças a uma câmera incorporada.

Vingança da morte de Ali Khamenei

O Líbano foi arrastado para a guerra regional com o Irã em 2 de março, quando o Hezbollah lançou um ataque contra Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei. Um precário cessar-fogo vigora desde 17 de abril no Líbano mas, desde então, ambas as partes se acusam mutuamente de violá-lo.

Já o Irã transmitiu nesta segunda‑feira, por meio do Paquistão, uma nova proposta de paz aos Estados Unidos, cujos termos são bastante semelhantes aos das ofertas anteriormente rejeitadas por Washington. Um alto funcionário iraniano afirmou que o governo americano teria flexibilizado sua posição em alguns pontos.

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Segundo o site de notícias Axios, o presidente Donald Trump deve se reunir na terça‑feira (19) com seus principais conselheiros de segurança nacional. O objetivo seria discutir suas opções, inclusive militares, em relação a Teerã.

RFI com agências

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