Batizada de "ChatGPT for Teens", a versão passa a ser ativada automaticamente para qualquer usuário que se declare menor de idade ou que a empresa identifique como tal, com base em sinais como a idade da conta ou os hábitos de uso.
A maior parte dos mecanismos de proteção já existia para contas identificadas como pertencentes a menores: restrições a determinados conteúdos (automutilação, violência, transtornos alimentares e sexualidade explícita), lembretes regulares para fazer pausas, períodos de uso bloqueados e o "modo estudo", que orienta o usuário por meio de perguntas em vez de simplesmente fornecer as respostas.
A novidade é reunir essas proteções em uma única experiência, complementada por lembretes mais frequentes para buscar ajuda humana quando necessário ou para não colar nas tarefas escolares.
A função de voz também foi desativada para tornar a ferramenta menos humana, e o robô não deve mais dar a entender que sente emoções, explica a OpenAI.
Sistema de alertas para pais
A empresa também conta com seu sistema de alertas para pais, lançado no segundo semestre de 2025 e ampliado em julho. Se o adolescente tiver vinculado sua conta à de um adulto - vínculo que pode ser desfeito a qualquer momento -, o responsável será avisado em caso de sinais de risco de suicídio ou automutilação, ou se a conta for desativada por conteúdos violentos. Cada alerta é validado por um avaliador humano, sem revelar o conteúdo exato das conversas, segundo a OpenAI.
O lançamento ocorre em um contexto de crescente pressão judicial e regulatória. Os pais de Adam Raine, um adolescente californiano de 16 anos que morreu por suicídio em abril de 2025, acusam judicialmente o ChatGPT de ter acompanhado o filho em seu ato.
Desde setembro de 2025, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) investiga os efeitos dos chatbots de sete empresas sobre menores de idade.
Estratégias diferentes
Diante do mesmo problema, os concorrentes adotaram estratégias diferentes: a Character.AI encerrou as conversas livres para menores de 18 anos em novembro de 2025; a Anthropic restringe seu assistente Claude a adultos; enquanto o Google acrescentou restrições para menores ao Gemini. Essas medidas foram reforçadas em abril, após uma avaliação crítica da ONG Common Sense Media, contestada pelo grupo.
Assim como ocorreu anteriormente com as redes sociais, a inteligência artificial generativa também enfrenta um endurecimento do marco regulatório: a Califórnia impõe, desde janeiro, mecanismos de proteção aos chatbots que desempenham o papel de companheiro ou confidente; o Congresso americano avalia proibir seu acesso por menores; e a Austrália exige verificação de idade sob pena de multa.
Na União Europeia, onde o perfilamento automatizado de menores é fortemente regulamentado, o sistema de estimativa de idade anunciado em janeiro ainda não foi implementado, fazendo com que a experiência destinada a adolescentes dependa exclusivamente da idade declarada pelo usuário. A OpenAI afirmou nesta terça-feira que "a funcionalidade de previsão de idade será implementada nas próximas semanas" na UE.
com AFP