Após ataques mútuos, Trump diz que acordo com Irã acabou

Presidente dos EUA diz que é "perda de tempo" negociar com iranianos, mas não descarta totalmente continuidade das conversas

8 jul 2026 - 06h51
(atualizado às 07h51)
Trump compartilha vídeo de explosões no Irã após ofensiva dos EUA
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (08/07) que o acordo provisório com o Irã acabou, colocando o Oriente Médio novamente sob a ameaça de um conflito mais amplo.

"Por mim, acho que acabou", respondeu Trump ao ser questionado sobre a situação do cessar-fogo. "É apenas perda de tempo lidar com eles", disse, referindo-se aos líderes iranianos como "escumalha" e mentirosos. Trump acrescentou que os representantes dos EUA podem continuar as negociações "se quiserem", mas expressou ceticismo quanto ao resultado. "Eles podem conversar, mas acho que estão perdendo tempo", disse.

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EUA bombardeiam alvos no Irã após ataques a navios no Estreito de Ormuz
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Ele deu as declarações às margens da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Ancara, na Turquia, e horas depois de ataques mútuos terem, mais uma vez, posto à prova o acordo preliminar.

Militares americanos atacaram dezenas de alvos no Irã na noite desta terça-feira, em retaliação por Teerã ter atingido três navios mercantes no Estreito de Ormuz. Washington também restabeleceu sanções ao petróleo iraniano, revogando assim a capacidade da República Islâmica de vender petróleo bruto livremente no mercado mundial.

EUA acusam Irã de atacar navios no Estreito de Ormuz
EUA acusam Irã de atacar navios no Estreito de Ormuz
Foto: DW / Deutsche Welle

As forças militares de Teerã responderam aos ataques dos EUA. O Kuwait, um país do Golfo Pérsico que é aliado dos EUA, relatou ter sido alvo de disparos. Sirenes também soaram no Bahrein na madrugada desta quarta-feira.

Os novos ataques mútuos seguiram um padrão semelhante ao observado durante a vigência instável do cessar-fogo, e o aval de Trump a que seus negociadores continuem conversando deixa uma janela aberta para salvar o acordo.

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Alvos dos ataques

Os militares dos EUA afirmaram terem atacado mais de 80 alvos no Irã, incluindo sistemas de defesa aérea, mísseis antinavio e mais de 60 embarcações pertencentes à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã no Estreito de Ormuz ou nas suas proximidades.

A mídia iraniana relatou explosões durante a noite na cidade portuária de Sirik, situada no estreito, e na ilha de Qeshm. Também houve relatos de explosões perto da cidade de Bandar Abbas. Várias pessoas ficaram feridas, segundo a emissora iraniana Press TV.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou posteriormente ter atacado 85 alvos em instalações militares dos EUA. Os alvos incluem locais próximos à Quinta Frota dos EUA, no Bahrein, e à Base Aérea Ali Al-Salem, no Kuwait. A Guarda Revolucionária também afirmou ter abatido um drone hostil.

O Bahrein e o Kuwait, assim como outros países do Golfo, já foram alvo de ataques iranianos anteriormente. Todos eles abrigam bases militares dos EUA situadas a apenas algumas centenas de quilômetros do Irã.

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Funeral de Khamenei

A nova troca de ataques ocorreu durante o funeral do antigo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que foi morto em 28 de fevereiro nos primeiros momentos da guerra, aos 86 anos. Pouco antes do início das cerimônias fúnebres, a Guarda Revolucionária alertou contra a realização de ataques pelos EUA. "Qualquer erro de cálculo será recebido com uma resposta decisiva e mais dura do que nunca", afirmou.

As negociações para um acordo final deveriam começar após o enterro de Khamenei e se concentrar nas questões mais difíceis, incluindo a reabertura total do Estreito de Ormuz e a reversão do contestado programa nuclear de Teerã. Mas os novos ataques colocaram isso em questão.

O funeral, que termina nesta quinta-feira, era para ser um período de menor tensão, apesar de os participantes terem repetidamente pedido a morte do presidente dos EUA, Donald Trump, e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O Irã iniciou no sábado seis dias de cerimônias fúnebres públicas, incluindo um dia no Iraque, país que alberga alguns dos santuários mais venerados pelos muçulmanos xiitas.

As cerimônias prosseguiram nesta terça-feira no Irã, na cidade sagrada de Qom, com orações fúnebres e um grande cortejo, após os três dias de eventos em Teerã, assistidos por milhões de pessoas, segundo números oficiais da República Islâmica.

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Cerimônias fúnebres foram realizadas nesta quarta-feira na cidade iraquiana de Najaf, com a presença do presidente iraniano Masoud Pezeshkian e de outras autoridades iranianas e iraquianas, incluindo o primeiro-ministro Ali Falah al-Zaidi. Haverá orações fúnebres mais tarde num santuário em Carbala.

O filho de Khamenei, o novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, ainda não apareceu nas cerimônias. Acredita-se que ele esteja escondido depois de ter sido ferido no ataque aéreo que matou seu pai.

O corpo de Khamenei retorna ao Irã para ser enterrado nesta quinta-feira no santuário do imã Reza, em Mashhad, sua cidade natal e também considerada uma cidade sagrada para os muçulmanos xiitas por albergar esse mausoléu.

EUA restabelecem sanções

Nesta terça-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou o restabelecimento das sanções ao comércio de petróleo do Irã, revogando uma isenção temporária que permitia transações envolvendo petróleo bruto, derivados de petróleo e produtos petroquímicos iranianos.

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Transações existentes e previamente autorizadas só poderão ser concluídas até 17 de julho. Após essa data, novas compras ou o carregamento de navios com petróleo iraniano voltarão a ser proibidos.

O governo Trump havia suspendido as sanções ao petróleo iraniano por um período de 60 dias, conforme o acordo assinado com o Irã no mês passado, e a isenção deveria permanecer em vigor até 21 de agosto.

Uma autoridade do governo dos EUA, falando sob condição de anonimato, afirmou que a isenção estava sendo revogada porque o acordo provisório com o Irã estava condicionado à conduta de Teerã.

O Irã somente se beneficiaria do alívio econômico se cumprisse suas obrigações previstas no acordo, disse a autoridade, descrevendo as ações de Teerã no Estreito de Ormuz como "totalmente inaceitáveis".

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Irã insiste no controle do Estreito de Ormuz

Um cessar-fogo foi acertado no início de abril, após semanas de combates entre os Estados Unidos, Israel e o Irã. Então, no mês passado, os EUA e o Irã chegaram a um acordo preliminar destinado a abrir caminho para negociações para encerrar a guerra. Essas conversações estão atualmente paralisadas, e um dos principais pontos de divergência é a cobrança de taxas, pelo Irã, para permitir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.

O Irã reiterou que não permitirá, "sob nenhuma circunstância", interferência em questões relacionadas ao estreito ou à sua administração e que a única rota segura para navios comerciais e petroleiros através do estreito é aquela designada por Teerã.

Ao que tudo indica, os navios atacados na terça-feira utilizavam uma rota próxima à costa de Omã, em vez daquela determinada por Teerã. O Irã é suspeito de ter atacado também outras embarcações que utilizaram essa via.

No âmbito do acordo provisório, o Irã e os Estados Unidos concordaram em permitir a passagem de navios sem cobrança de taxas por 60 dias. No entanto, Teerã insiste em controlar as rotas das embarcações e cobrar taxas de passagem posteriormente, o que alteraria décadas de práticas estabelecidas nessa via navegável. Os EUA e muitos países árabes do Golfo afirmaram que não concordarão com a cobrança.

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Os novos ataques mútuos representaram a escalada mais grave desde que os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo preliminar, em meados de junho, para reabrir o estreito, que é vital para o comércio global de petróleo, gás e fertilizantes e tentar encerrar definitivamente a guerra. Os ataques dos EUA foram de quatro a cinco vezes mais intensos do que aqueles ocorridos há uma semana e meia, informou o site Axios, citando uma autoridade americana.

as/cn (AP, DPA, Lusa)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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