"A batalha continua no Líbano", afirmou o coronel Avichay Adraee, porta-voz do exército israelense, em uma mensagem publicada em árabe nas redes sociais. No mesmo post, o militar convocou a população do país a evacuar a área ao sul do rio Zahrani, a cerca de 40 quilômetros ao norte da fronteira com Israel.
Em comunicado, o gabinete do primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que apoia a decisão do presidente americano, Donald Trump, de suspender os ataques contra o Irã, "desde que o Irã reabra imediatamente o Estreito de Ormuz e ponha fim a todos os ataques contra os Estados Unidos, Israel e os países da região". No entanto, "o cessar‑fogo de duas semanas não inclui o Líbano", reforça a nota.
Segundo o presidente libanês, Joseph Aoun, seu governo está trabalhando para que o país seja incluído na "paz regional".
Novas evacuações
O exército israelense também ordenou nesta manhã que moradores se retirassem de vários bairros nos subúrbios do sul de Beirute, que Israel considera um reduto do movimento islâmico Hezbollah. O apelo, feito em árabe, abrange sete bairros da capital libanesa, incluindo Haret Hreik, Ghobeiry, Hadath e Bourj al-Barajneh.
Segundo a ANI, agência estatal de notícias do Líbano, vários ataques foram registrados no país na manhã desta quarta-feira. Um dos bombardeios teve como alvo um prédio na região de Tyr, no sul, segundo um correspondente da AFP.
Um pouco antes, o exército libanês havia pedido, por meio de um comunicado, que os deslocados "esperassem antes de retornar" ao sul do país, como medida de precaução.
Já o grupo Hezbollah não reivindicou a autoria de nenhum ataque contra Israel desde aproximadamente 1h da manhã pelo horário local (19h de terça-feira pelo horário de Brasília).
Cessar-fogo valeria para todo o Oriente Médio
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que os Estados Unidos, o Irã e seus aliados concordaram com um cessar-fogo "em todos os países, inclusive no Líbano", após a mediação do compromisso pelo Paquistão. Entrevistada sob anonimato pela AFP, uma fonte oficial do governo libanês indicou que o país "não foi informado" sobre a inclusão do Líbano na trégua.
Algumas líderanças protestam nesta quarta-feira contra a continuação da ofensiva israelense. É o caso do presidente francês, Emmanuel Macron, para quem o cessar-fogo "deveria incluir plenamente o Líbano".
O líder centrista também pediu a reativação completa do mecanismo de coordenação para a estabilidade no sul do Líbano, que inclui os Estados Unidos e a França. Macron reiterou ainda a necessidade de fortalecer o apoio às Forças Armadas Libanesas "para que possam retomar o controle total de seu território e combater o Hezbollah de forma eficaz".
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, também criticou o prosseguimento da ofensiva israelense. "É inaceitável que a invasão de um país soberano como o Líbano continue", disse à rádio RNE.
Mais de 1.500 mortos no Líbano
No total, os ataques israelenses no Líbano mataram 1.530 pessoas desde o início da guerra entre o Hezbollah e Israel, em 2 de março, informou o Ministério da Saúde libanês na terça-feira (7).
De acordo com os serviços de emergência israelenses, 23 pessoas foram mortas em Israel por mísseis lançados do Irã e do Líbano. Um dos ataques de Israel também matou por engano um agricultor israelense perto da fronteira entre os dois países.
Com AFP