Portugal deve reformar leis trabalhistas para estimular crescimento, diz primeiro-ministro

26 mai 2026 - 12h14

Portugal deve flexibilizar ‌as leis trabalhistas para aumentar sua competitividade e atrair mais investimentos, disse o primeiro-ministro do país, Luís Montenegro, nesta terça-feira, ao tentar angariar apoio para uma proposta de reforma trabalhista.

O governo minoritário de centro-direita de Portugal espera garantir a aprovação ⁠parlamentar de uma ampla reforma trabalhista nas próximas semanas, apesar ‌da oposição sindical às principais medidas. Essas medidas incluem a flexibilização dos limites de terceirização e a introdução de ‌acordos de banco de horas para ‌lidar com os picos de demanda, permitindo que os ⁠funcionários acumulem horas que podem ser compensadas com licença remunerada ou um prêmio salarial.

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Portugal tem a 38ª legislação trabalhista mais rígida entre 39 países da OCDE, o que limita sua capacidade de capitalizar as finanças públicas sólidas, os cortes de ‌impostos, a inovação e sua localização longe de zonas de ‌guerra, disse Montenegro em ⁠uma conferência ⁠empresarial na cidade de Braga, no norte do país.

"Não queremos retirar os ⁠direitos dos trabalhadores, mas Portugal ‌é uma economia que, ‌neste momento de instabilidade externa, tem tudo o que precisa para ser uma referência de estabilidade e para atrair mais investimentos", disse Montenegro.

A flexibilização das leis trabalhistas permitiria ⁠a Portugal desbloquear um crescimento econômico de 3,5% a 4% ao ano por meio da aceleração dos investimentos, disse Montenegro. As leis atuais estão impedindo o crescimento, deixando a economia presa a um ‌crescimento de 1,5% a 2% nos últimos anos, disse ele.

O investimento estrangeiro direto em Portugal caiu 34%, para 8,5 bilhões ⁠de euros (US$9,9 bilhões) em 2025. Isso se deveu principalmente a uma queda de 1,2 bilhão de euros na dívida intragrupo entre subsidiárias residentes e suas empresas-mãe não residentes, de acordo com o banco central.

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A agência estatal para atrair investimentos voltados para a exportação, a AICEP, garantiu um novo recorde de 3,5 bilhões de euros em investimentos no ano passado, oito vezes mais do que em 2024.

Montenegro disse que o governo poderia ajustar sua proposta, mas que uma economia competitiva não pode limitar a terceirização ou abrir mão de acordos de banco de horas.

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