"Um ano de Trump, mas a sensação é de um século", afirma o jornal Libération em sua capa, enumerando os principais fatos que marcaram os 12 primeiros meses da volta do bilionário à Casa Branca. O diário destaca a política de perseguição aos imigrantes, a guerra econômica, cumplicidade do bilionário com o presidente russo, Vladimir Putin, o projeto dos Estados Unidos de construir um balneário na Faixa de Gaza, o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e o último capítulo do primeiro ano do segundo mandato de Trump: sua obsessão em anexar a Groenlândia.
Libération lembra a recente declaração do presidente norte-americano, que diante da onda de condenação à controversa iniciativa afirmou que tomaria o território autônomo no Ártico "de uma forma ou de outra". Para o Libé, "o único argumento de Trump é seu ego enorme", já que os motivos estratégicos e econômicos evocados pelo líder republicano para anexar a Groenlândia "não fazem sentido", diz.
Colunista cita Brasil como exemplo de resistência
O jornal Le Figaro destaca que as pretensões do presidente norte-americano resultam na maior crise em 80 anos de existência da Otan. O diário lembra que vários países europeus, entre eles, a França, se mobilizaram para apoiar a Dinamarca, da qual faz parte a Groenlândia, levando Trump a anunciar uma nova rodada de tarifas a quem participa da iniciativa.
Em coluna no jornal Le Figaro, o advogado e ex-deputado francês Pierre Lellouche, especialista em questões geopolíticas, defende a resistência dos governos europeus e cita o Brasil e a China como exemplo de resistentes à guerra comercial de Trump. As duas nações foram as únicas que conseguiram fazer o presidente norte-americano recuar, diz o artigo.
O jornal Les Echos que, em editorial classifica de "inaceitável" o comportamento do presidente norte-americano sobre a Groenlândia, indicando que a Europa "tem formas de responder às ameaças no plano comercial". No entanto, para o diário, é impensável que os líderes europeus cheguem à mesa de negociações sem propostas concretas. Entre as possibilidades de retaliação sugeridas estão a ativação do instrumento anticoerção da União Europeia ou o congelamento do recente acordo comercial assinado entre o bloco e os Estados Unidos.