Em uma série de declarações contundentes, o líder norte-americano afirmou que a aquisição ou o controle do território autônomo dinamarquês é um "imperativo para a segurança nacional e mundial". Segundo Trump, o projeto avançou a um ponto em que "não pode haver retrocesso" e alega que existe um consenso geral sobre a importância estratégica da ilha.
Embora o americano não tenha especificado data, horário ou os participantes exatos do encontro, ele revelou ter mantido uma "conversa telefônica muito boa" com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, sobre a Groenlândia.
Antes de embarcar para a Suíça, Trump minimizou a oposição de líderes europeus, declarando a jornalistas na Flórida que não acredita que eles irão "resistir muito" aos seus planos.
Resistência europeia e diplomacia de bastidores
A postura de Washington gerou uma crise diplomática imediata com a União Europeia. Charles Michel, ex-presidente do Conselho Europeu, fez um apelo dramático aos líderes do bloco, afirmando que é o momento de dizer "basta" diante das ameaças americanas à soberania do território dinamarquês. Ele classificou a situação como um "momento de verdade" para a autonomia da Europa.
O presidente francês, Emmanuel Macron, tentou uma abordagem direta através de uma mensagem privada — posteriormente vazada por Trump — na qual admitiu abertamente o estranhamento com a obsessão americana pela ilha: "Eu não entendo o que vocês estão fazendo na Groenlândia", escreveu o líder francês. Como alternativa para resolver o impasse, Macron propôs a Trump a organização de uma cúpula do G7 em Paris, na próxima quinta-feira, sugerindo convidar representantes da Dinamarca para discutir as divergências sobre o território à margem do encontro principal.
Pressão econômica
A ofensiva diplomática é acompanhada por pesadas ameaças econômicas. Trump ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, utilizando a pressão comercial como ferramenta para influenciar a política externa europeia e forçar a adesão aos seus projetos globais. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou o tom agressivo ao alertar que seria "uma decisão mal calculada" se a União Europeia decidisse adotar medidas de retaliação comercial contra os Estados Unidos devido à disputa pela Groenlândia.
A determinação de Washington é visível na própria estrutura do fórum em Davos, onde a delegação americana estabeleceu uma presença massiva, incluindo a criação de uma "USA House" instalada em uma igreja local e a privatização de diversos estabelecimentos comerciais na rua principal da cidade.
Com AFP