Trump intensifica ofensiva pela Groenlândia em Davos: 'Não pode haver retrocesso'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou o futuro da Groenlândia no centro das discussões globais durante o Fórum Econômico Mundial de Davos. Nesta terça-feira (20), por meio de sua rede social Truth Social, Trump anunciou que aceitou realizar uma reunião com "diferentes partes" em Davos para tratar especificamente do território autônomo no Ártico.

20 jan 2026 - 08h13

Em uma série de declarações contundentes, o líder norte-americano afirmou que a aquisição ou o controle do território autônomo dinamarquês é um "imperativo para a segurança nacional e mundial". Segundo Trump, o projeto avançou a um ponto em que "não pode haver retrocesso" e alega que existe um consenso geral sobre a importância estratégica da ilha.

"Groenlândia é para os groenlandenses", diz faixa de manifestante contra as ambições americanas no território autônomo, em Nuuk, em 17 de janeiro de 2026.
"Groenlândia é para os groenlandenses", diz faixa de manifestante contra as ambições americanas no território autônomo, em Nuuk, em 17 de janeiro de 2026.
Foto: REUTERS - Marko Djurica / RFI

Embora o americano não tenha especificado data, horário ou os participantes exatos do encontro, ele revelou ter mantido uma "conversa telefônica muito boa" com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, sobre a Groenlândia.

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Antes de embarcar para a Suíça, Trump minimizou a oposição de líderes europeus, declarando a jornalistas na Flórida que não acredita que eles irão "resistir muito" aos seus planos.

Resistência europeia e diplomacia de bastidores

A postura de Washington gerou uma crise diplomática imediata com a União Europeia. Charles Michel, ex-presidente do Conselho Europeu, fez um apelo dramático aos líderes do bloco, afirmando que é o momento de dizer "basta" diante das ameaças americanas à soberania do território dinamarquês. Ele classificou a situação como um "momento de verdade" para a autonomia da Europa.

O presidente francês, Emmanuel Macron, tentou uma abordagem direta através de uma mensagem privada — posteriormente vazada por Trump — na qual admitiu abertamente o estranhamento com a obsessão americana pela ilha: "Eu não entendo o que vocês estão fazendo na Groenlândia", escreveu o líder francês. Como alternativa para resolver o impasse, Macron propôs a Trump a organização de uma cúpula do G7 em Paris, na próxima quinta-feira, sugerindo convidar representantes da Dinamarca para discutir as divergências sobre o território à margem do encontro principal.

Pressão econômica

A ofensiva diplomática é acompanhada por pesadas ameaças econômicas. Trump ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, utilizando a pressão comercial como ferramenta para influenciar a política externa europeia e forçar a adesão aos seus projetos globais. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou o tom agressivo ao alertar que seria "uma decisão mal calculada" se a União Europeia decidisse adotar medidas de retaliação comercial contra os Estados Unidos devido à disputa pela Groenlândia.

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A determinação de Washington é visível na própria estrutura do fórum em Davos, onde a delegação americana estabeleceu uma presença massiva, incluindo a criação de uma "USA House" instalada em uma igreja local e a privatização de diversos estabelecimentos comerciais na rua principal da cidade.

Com AFP

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