Sem acordo, EUA impõem novas tarifas de 50% ao Canadá e Ottawa promete retaliação

Depois de negociações que se estenderam até a última hora, Estados Unidos e Canadá não conseguiram chegar a um acordo comercial. Com isso, as novas tarifas de 50% impostas pela Casa Branca entraram em vigor à 0h01 deste sábado (22), atingindo cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses e ampliando ainda mais as tensões entre os dois vizinhos.

22 ago 2026 - 07h40
Resumo
Após o fracasso nas negociações comerciais, os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos do Canadá. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, culpou Washington por exigências de última hora e anunciou retaliação equivalente, "dólar por dólar". A escalada na guerra comercial atinge setores antes protegidos e reforça a estratégia de Ottawa de diversificar seus parceiros comerciais para reduzir a forte dependência econômica em relação ao mercado americano.

Loubna Anaki, correspondente da RFI em Nova York, e agências

Imagem de outubro de 2025 mostra o presidente dos EUA, Donald Trump, recebendo o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, na Casa Branca, em Washington, D.C., EUA.
Imagem de outubro de 2025 mostra o presidente dos EUA, Donald Trump, recebendo o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, na Casa Branca, em Washington, D.C., EUA.
Foto: REUTERS - Evelyn Hockstein / RFI

Para o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, trata-se de uma "oportunidade perdida para o Canadá". Segundo ele, após vários dias de negociações, a delegação canadense se recusou a concluir um acordo que havia sido acertado no início da semana, apesar de os Estados Unidos oferecerem o que chamou de "o melhor tratamento possível".

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As relações entre os dois países se deterioraram significativamente desde o início do segundo mandato de Donald Trump. Poucos minutos antes do prazo final estabelecido pelo presidente americano, ambos reconheceram que não conseguiriam chegar a um entendimento e atribuíram um ao outro a responsabilidade pelo fracasso das negociações, alimentando o temor de uma escalada da disputa comercial.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que foi Washington quem acrescentou novas exigências de última hora. Segundo ele, as mudanças eram "injustas" e incluíam condições "não econômicas" que colocavam em dúvida a credibilidade de qualquer acordo. Em resposta, Mark Carney anunciou que o Canadá aplicará tarifas equivalentes sobre produtos americanos, com uma retaliação "dólar por dólar".

Conta elevada para o Canadá

Sem acordo, cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses passaram a ser alvo das novas tarifas americanas de 50%. Entre os produtos afetados estão cimento, cerveja, móveis, papel e papelão, além de tacos de hóquei. As medidas atingem inclusive setores que até agora eram protegidos pelo acordo de livre-comércio entre Canadá, Estados Unidos e México.

Segundo estimativas, os produtos atingidos representam aproximadamente 5,5% das exportações canadenses para os Estados Unidos.

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As novas tarifas foram adotadas por Donald Trump em resposta às medidas retaliatórias anunciadas por Ottawa após as rodadas anteriores de sobretaxas impostas desde seu retorno à Casa Branca. O presidente americano também se mostrou irritado com o boicote promovido por várias províncias canadenses a bebidas alcoólicas produzidas nos Estados Unidos, uma reação às declarações de Trump defendendo que o Canadá se tornasse o 51º estado americano.

Reduzir a dependência dos Estados Unidos

Fortemente dependente da economia americana, o Canadá se viu na linha de frente da guerra comercial lançada por Donald Trump. Desde que assumiu o cargo, em março de 2025, Mark Carney vem tentando reduzir essa dependência, buscando novos parceiros comerciais na Ásia e na Europa.

Os Estados Unidos seguem sendo, de longe, o principal parceiro comercial do Canadá. Atualmente, cerca de 70% das exportações canadenses têm como destino o mercado americano.

A estratégia de diversificação já produziu alguns resultados. Segundo Ottawa, as exportações canadenses para países fora dos Estados Unidos cresceram 11,1% em 2025 e atingiram o maior nível dos últimos 40 anos. O governo também acelerou grandes projetos de infraestrutura, mineração, energia e defesa para fortalecer a economia e reduzir a vulnerabilidade diante das tensões com Washington.

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Já no Brasil, o presidente Lula informou na sexta-feira (21) que o país retomou as negociações sobre as tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros. Após uma conversa telefônica com o presidente americano, Lula afirmou que as justificativas de Washington para as sobretaxas são "infundadas" e defendeu a continuidade do diálogo.

Segundo Brasília, as equipes dos dois países devem voltar a se reunir na próxima semana para retomar as negociações.

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