Colômbia: imigrantes precisam recomeçar a vida mais uma vez após terremoto

Mais de uma semana depois do forte terremoto que deixou pelo menos 300 mortos e 140 desaparecidos, os colombianos continuam removendo escombros, apesar das poucas chances de encontrar sobreviventes. Os imigrantes também foram duramente afetados.

18 ago 2026 - 15h40

Carmen Andrea Rengifo, correspondente da RFI em Cali

O barulho de retroescavadeiras, guindastes e caminhões ecoa nas áreas mais afetadas pelo terremoto de magnitude 7,4 que, na segunda-feira passada (10), derrubou milhares de casas, edifícios, hotéis e hospitais em Cali. Vários estrangeiros chegaram à cidade, no sudoeste do país, para reconstruir suas vidas. O terremoto, no entanto, mudou essa situação em questão de segundos.

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Edgar Castro, um migrante peruano, esteve a poucos minutos de perder a vida. 

"Foi tão atroz e tão imediato que, mesmo se eu estivesse lá, não teria conseguido fazer nada. Na realidade, eu me salvei. Escapei por milagre, por cinco minutos", conta Edgar.

O peruano trabalha como entregador de comida, atividade que está praticamente suspensa após a tragédia. "Muitos estabelecimentos fecharam e estão se reorganizando", relata.

Voluntários ajudam na triagem de doações em Pereira, Colômbia, em 11 de agosto de 2026.
Voluntários ajudam na triagem de doações em Pereira, Colômbia, em 11 de agosto de 2026.
Foto: RFI

Sonhos destruídos

Mayra Mejía, mãe de duas filhas, chegou da Venezuela há vários anos. A academia de dança que mantinha foi destruída.

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"Perdemos muitas coisas materiais. Ficamos sem moradia e, naturalmente, sem sustento financeiro. Tenho duas filhas, uma na universidade e outra na escola. Ambas estudam em instituições privadas. Elas dependem de mim e, até o momento, não recebemos nenhum tipo de ajuda", afirma.

Samira Velásquez, também venezuelana, mãe de duas crianças pequenas, vivia em uma moradia social, que precisou ser esvaziada devido ao risco de desabamento.

"No momento, ficamos em qualquer abrigo que conseguimos encontrar. Às vezes voltamos para casa, tomamos banho e ficamos um pouco. Ontem e hoje estamos ficando aqui. Ficamos com medo", conta.

Esses estrangeiros deixaram seus países para reconstruir suas vidas em Cali. O terremoto os obriga, mais uma vez, a recomeçar e, em alguns casos, do zero.

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