Lula é destaque na imprensa francesa com descoberta do petróleo na Foz da Amazônia e a corrida eleitoral

A imprensa francesa dedicou ampla cobertura nesta terça-feira (18) a dois acontecimentos diretamente ligados à estratégia política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: o anúncio de indícios de petróleo na Margem Equatorial, na costa da Amazônia, anunciada pela Petrobras, e o lançamento oficial de sua campanha para um quarto mandato presidencial.

18 ago 2026 - 09h58

A foto do presidente Lula sorridente, de macação alaranjado e capacete da Petrobras, e com as mãos sujas de petróleo ilustra os sites de vários jornais franceses desta terça-feira. 

Esta foto divulgada pela Agência Petrobras mostra o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, exibindo as mãos manchadas de óleo durante uma visita à plataforma de perfuração NS-42, que está realizando perfurações exploratórias no poço Morpho, em águas profundas na costa do estado do Amapá, na Margem Equatorial do Brasil, em 17 de agosto de 2026.
Esta foto divulgada pela Agência Petrobras mostra o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, exibindo as mãos manchadas de óleo durante uma visita à plataforma de perfuração NS-42, que está realizando perfurações exploratórias no poço Morpho, em águas profundas na costa do estado do Amapá, na Margem Equatorial do Brasil, em 17 de agosto de 2026.
Foto: AFP - HANDOUT / RFI

Os diários destacam a defesa feita pelo presidente da exploração da nova descoberta. Em sua manchete, o Le Figaro ressalta que Lula considera o petróleo encontrado na costa amazônica um "passaporte para o futuro", apesar das críticas de organizações ambientalistas. O jornal enfatiza o potencial econômico, estratégico e geopolítico da descoberta, vista pelo governo como um instrumento para reforçar a soberania nacional.

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Já o Le Monde dá maior destaque à controvérsia ambiental em torno do projeto, mencionando os questionamentos relacionados ao processo de licenciamento, à consulta às populações indígenas e aos possíveis impactos sobre a biodiversidade da região. Ambos os veículos lembram que a Petrobras ainda precisa avaliar a dimensão da reserva e sua viabilidade comercial.

A estatal iniciou as perfurações na região da Foz do Amazonas em outubro de 2025, após cinco anos de negociações para obter a licença ambiental necessária. Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ainda serão necessários entre 15 e 20 dias de trabalhos para determinar o tamanho da descoberta. Também faltam estudos para confirmar se a reserva poderá ser considerada comercialmente explorável. Ainda assim, ela afirma haver razões para estar "extremamente otimista", segundo os jornais franceses.

Início da corrida eleitoral

Le Monde e Le Figaro observam que a defesa da exploração petrolífera ocorre justamente no momento em que Lula inicia sua campanha para as eleições presidenciais de outubro. Aos 80 anos, o presidente busca um quarto mandato à frente do país.

Outros jornais franceses concentraram sua atenção no primeiro comício oficial da campanha, realizado no domingo (16) em São Bernardo do Campo, município do ABC paulista que marcou a trajetória de Lula como líder sindical.

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O jornal católico La Croix avalia que o presidente procura reforçar sua imagem de ex-operário e líder popular. Segundo a publicação, Lula sustenta que possui uma vantagem sobre seus adversários: conhecer o "coração e a mente" dos trabalhadores brasileiros. Para o jornal, a estratégia busca mobilizar a base histórica do Partido dos Trabalhadores e, ao mesmo tempo, aproximar o presidente dos eleitores mais jovens, que frequentemente o enxergam como parte do establishment político. A defesa da soberania nacional aparece, segundo La Croix, como um dos principais eixos da campanha.

O Libération adota um tom mais analítico e descreve o lançamento da candidatura como a possível "última dança" de Lula na política eleitoral. A correspondente do jornal acompanhou o evento em um estádio lotado e destaca uma campanha fortemente ancorada na trajetória pessoal do ex-metalúrgico que chegou à Presidência da República.

A reportagem também ressalta os ataques de Lula à direita e ao bolsonarismo, além de apontar uma disputa eleitoral mais acirrada do que o esperado contra Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, apesar dos indicadores econômicos favoráveis ao governo.

Para o Libération, a campanha está apenas começando, mas tem todos os ingredientes para se tornar uma das eleições mais disputadas da história recente do Brasil.

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