A foto do presidente Lula sorridente, de macação alaranjado e capacete da Petrobras, e com as mãos sujas de petróleo ilustra os sites de vários jornais franceses desta terça-feira.
Os diários destacam a defesa feita pelo presidente da exploração da nova descoberta. Em sua manchete, o Le Figaro ressalta que Lula considera o petróleo encontrado na costa amazônica um "passaporte para o futuro", apesar das críticas de organizações ambientalistas. O jornal enfatiza o potencial econômico, estratégico e geopolítico da descoberta, vista pelo governo como um instrumento para reforçar a soberania nacional.
Já o Le Monde dá maior destaque à controvérsia ambiental em torno do projeto, mencionando os questionamentos relacionados ao processo de licenciamento, à consulta às populações indígenas e aos possíveis impactos sobre a biodiversidade da região. Ambos os veículos lembram que a Petrobras ainda precisa avaliar a dimensão da reserva e sua viabilidade comercial.
A estatal iniciou as perfurações na região da Foz do Amazonas em outubro de 2025, após cinco anos de negociações para obter a licença ambiental necessária. Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ainda serão necessários entre 15 e 20 dias de trabalhos para determinar o tamanho da descoberta. Também faltam estudos para confirmar se a reserva poderá ser considerada comercialmente explorável. Ainda assim, ela afirma haver razões para estar "extremamente otimista", segundo os jornais franceses.
Início da corrida eleitoral
Le Monde e Le Figaro observam que a defesa da exploração petrolífera ocorre justamente no momento em que Lula inicia sua campanha para as eleições presidenciais de outubro. Aos 80 anos, o presidente busca um quarto mandato à frente do país.
Outros jornais franceses concentraram sua atenção no primeiro comício oficial da campanha, realizado no domingo (16) em São Bernardo do Campo, município do ABC paulista que marcou a trajetória de Lula como líder sindical.
O jornal católico La Croix avalia que o presidente procura reforçar sua imagem de ex-operário e líder popular. Segundo a publicação, Lula sustenta que possui uma vantagem sobre seus adversários: conhecer o "coração e a mente" dos trabalhadores brasileiros. Para o jornal, a estratégia busca mobilizar a base histórica do Partido dos Trabalhadores e, ao mesmo tempo, aproximar o presidente dos eleitores mais jovens, que frequentemente o enxergam como parte do establishment político. A defesa da soberania nacional aparece, segundo La Croix, como um dos principais eixos da campanha.
O Libération adota um tom mais analítico e descreve o lançamento da candidatura como a possível "última dança" de Lula na política eleitoral. A correspondente do jornal acompanhou o evento em um estádio lotado e destaca uma campanha fortemente ancorada na trajetória pessoal do ex-metalúrgico que chegou à Presidência da República.
A reportagem também ressalta os ataques de Lula à direita e ao bolsonarismo, além de apontar uma disputa eleitoral mais acirrada do que o esperado contra Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, apesar dos indicadores econômicos favoráveis ao governo.
Para o Libération, a campanha está apenas começando, mas tem todos os ingredientes para se tornar uma das eleições mais disputadas da história recente do Brasil.