Os EUA mudaram sua estratégia contra o Irã, trocando o foco militar por uma severa pressão econômica para colapsar o regime. O governo Trump busca o apoio da China e ameaçou retaliar financeiramente qualquer país que ajude Teerã, reduzindo, por ora, a chance de uma guerra em grande escala. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, classificou o plano como a maior operação de isolamento econômico da história, enquanto o Irã acusou Washington de praticar "terrorismo econômico".
As declarações recentes do secretário do Tesouro, Scott Bessent, ressaltam como Trump está passando de exercer pressão militar para exercer pressão econômica sobre Teerã, enquanto sua impopular guerra se aproxima dos seis meses. Em entrevista ao canal CNBC, ele destacou essa mudança de estratégia do presidente norte-americano.
"Vai funcionar no Irã e vai fazer o regime entrar em colapso. Será a maior operação de isolamento econômico coordenado da história mundial", prometeu Bessent, lançando um alerta aos aliados: "(Estão) conosco ou contra nós".
Perguntado se os Estados Unidos pressionariam a China, o secretário do Tesouro norte-americano afirmou que "é melhor ter muitas conversas em privado", mas incentivou Pequim a "se juntar ao plano".
Diante da nova abordagem, é menos provável que os EUA voltem a realizar operações militares de grande escala contra o Irã, explicou Bessent. "Se estamos aplicando a máxima pressão econômica, isso significa que provavelmente não haverá uma retomada da guerra em grande escala, mas enfatizo que isso é por enquanto", declarou.
Teerã mantém o estratégico Estreito de Ormuz praticamente fechado, enquanto Washington persiste com um bloqueio naval ao Irã.
"Terrorismo econômico"
Na quarta-feira (19), em mensagem publicada na rede Truth Social, Trump anunciou que a "operação econômica" contra o Irã seria "avassaladora".
O chefe da Casa Branca disse ainda que "qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais ofereçam qualquer tipo de salvação ao Irã enfrentará tremendas consequências financeiras". Teerã, por sua vez, acusou os Estados Unidos de "terrorismo econômico".
"Sem dúvida, as sanções dos EUA contra o Irã, que atacam os direitos humanos fundamentais de cada cidadão iraniano, constituem um caso de 'terrorismo econômico' e de 'crimes contra a humanidade'", declarou o Ministério das Relações Exteriores do país.
O comunicado, divulgado pela imprensa estatal, acrescenta que os responsáveis por "essa política merecem ser julgados e punidos por cometer crimes tão atrozes".
Com AFP